Depois de 23 anos em sala de aula, Sirlene Covre não mede a própria trajetória apenas pelo tempo. Mede pelos alunos que reencontra, pelas carreiras que viu nascer e pelas histórias de quem saiu da faculdade levando para a vida profissional o que aprendeu com ela.
Formada pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Sirlene começou a lecionar lá em 2003, pouco depois de concluir a graduação. A primeira oportunidade veio justamente nas áreas pelas quais tinha maior paixão: fotografia e vídeo. Na época, ainda se revelavam negativos e se ampliavam fotografias em laboratório, e foi desse universo que ela começou a levar conhecimento para os primeiros alunos, parte deles ainda calouros dela.
“Naquela época, a gente revelava o negativo e depois fazia a ampliação. Tudo aquilo que eu aprendi em sala de aula, eu passava para os meus alunos”, relembra.
Com o passar dos anos, a sala de aula mudou, a tecnologia mudou e as turmas também. O que permaneceu foi a vontade de ensinar. Sirlene passou por diferentes cursos, como Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Arquitetura e até Pedagogia. Foram mais de 2 mil estudantes que aprenderam com ela na UFMS e também na Uniderp.
Entre tantas turmas, algumas histórias ficaram mais marcadas justamente porque o interesse despertado em sala virou profissão. Ex-alunos marcaram a vida da docente exatamente por levarem para a vida profissional os caminhos que aprenderam nas disciplinas ministradas por ela como audiovisual, produção de vídeos, rádio e História da Arte ministrada na comunicação.
“É muito bom ver eles querendo seguir essa carreira depois que fizeram a disciplina, porque a gente percebe que, de alguma forma, aquilo que ensinou em sala despertou um interesse e ajudou o aluno a encontrar um caminho profissional”, conta
Para Sirlene, é aí que está uma das maiores recompensas de ensinar: perceber que aquilo que foi dito em sala continua acompanhando o estudante muito tempo depois da faculdade.
“A gente acaba plantando essa sementinha. O aluno sempre lembra: ‘isso eu aprendi na aula de fulano’. A gente sempre traz um pouquinho de professor junto com a gente”, afirma.
E, em alguns casos, aqueles alunos voltaram à vida dela de uma maneira diferente, como é o caso de alguns que viraram colegas de trabalho.
“Fico imensamente feliz quando encontro meus alunos no mercado de trabalho e acabo trabalhando com alguns deles. Já trabalhei com vários na MV Agência”, diz.
A sensação, segundo ela, é especial justamente porque permite acompanhar de perto o que aconteceu depois que aqueles estudantes deixaram a universidade. O vínculo muda, mas a lembrança da sala de aula permanece.
O calor humano que o tempo não apaga

Depois de mais de duas décadas, os nomes e rostos se multiplicaram. Alguns permanecem imediatamente na memória; outros voltam aos poucos quando um ex-aluno se aproxima e lembra de qual turma fazia parte.
“Às vezes eu encontro na rua e pergunto: ‘que turma você era?’. Aí ele vai me fazendo recordar. Porque são muitos alunos”, brinca.
Hoje, Sirlene ministra as disciplinas de Criação e Produção em Rádio e Fotografia Aplicada à Publicidade e Propaganda na Uniderp. Mesmo acompanhando todas as mudanças na tecnologia e nas formas de ensinar, ela ainda considera a presença em sala de aula uma parte difícil de substituir.
“Eu acredito que, presencialmente, a gente tem uma troca muito maior. O calor humano, a troca pessoalmente, agrega demais”, afirma.
É justamente esse “calor humano” que atravessa a trajetória de Sirlene. Das fotografias reveladas em laboratório às produções feitas hoje em ambiente digital, das primeiras turmas aos mais de 2 mil alunos que estima ter ensinado, o que permaneceu foi a possibilidade de acompanhar pessoas descobrindo caminhos.
Neste Dia do Professor, ela vê parte dessa história fora dos muros da universidade, nos antigos alunos que hoje trabalham, produzem, comunicam e, em alguns casos, dividem o mesmo mercado com quem um dia foi professora deles.
Ao saber que sua trajetória seria lembrada na data, Sirlene resumiu o sentimento de forma simples: “Estou imensamente feliz e honrada pela lembrança de vocês”.








