O Prêmio Frontiers Planet anunciou a professora Letícia Garcia, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), como a campeã nacional do Brasil para 2026. A divulgação do resultado ocorreu nesta quarta-feira (22).
A indicação da pesquisadora foi feita pela própria universidade e marca um registro inédito na história da instituição e do Estado. A cientista integra agora um grupo de 25 especialistas globais selecionados por desenvolverem pesquisas que aprimoram a compreensão do sistema terrestre e oferecem soluções práticas para manter a humanidade em segurança.
O trabalho que garantiu o reconhecimento à brasileira é o artigo “Mapeando Paisagens Resilientes às Mudanças Climáticas em um País Megadiverso”, publicado na revista científica Global Change Biology. A equipe liderada pela professora mapeia paisagens resilientes ao clima em todo o território nacional. O estudo identifica áreas em que a biodiversidade apresenta maior robustez diante das mudanças climáticas.
“Nossas descobertas são um mapa científico que possibilita o desenvolvimento de políticas de adaptação climática por meio da identificação de paisagens adequadas para a proteção ambiental e necessidades humanas em tempos de mudanças rápidas”, afirmou Letícia Garcia. A pesquisadora pontuou que o levantamento fornece orientações direcionadas sobre conservação eficaz, restauração e práticas de uso sustentável da terra para proporcionar o máximo de benefícios ambientais.
A partir das pesquisas dos Campeões Nacionais deste ano, a organização lançou o relatório “Da Ciência à Política: Soluções Planetárias em Ação”. O documento foi elaborado em parceria com o Frontiers Policy Labs, o UNU-CPR (Centro de Pesquisa de Políticas da Universidade das Nações Unidas) e o Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático. O texto descreve caminhos para que os governos priorizem locais onde intervenções gerem o maior impacto ecológico em longo prazo.
Os 25 vencedores foram selecionados pelo Júri dos 100, um grupo independente de especialistas em sustentabilidade presidido pelo professor Johan Rockström. O comitê avaliará novamente os projetos na fase final da competição, momento em que três cientistas serão escolhidos como campeões internacionais. Cada um receberá um milhão de dólares para expandir suas pesquisas em escala global.
O diretor do Prêmio Frontiers Planet, professor Jean Claude Burgelman, enfatizou a urgência de aplicar a ciência existente na tomada de decisões. “Não nos faltam mais avisos, mas sim soluções e tempo”, declarou. A iniciativa busca transformar pesquisas rigorosas em ações coletivas efetivas.
A cientista da UFMS compartilhará sua pesquisa em conferências nacionais e internacionais, com apoio de entidades como o Conselho Internacional de Ciência e o Instituto Villars. A cerimônia oficial de premiação está marcada para o dia 18 de janeiro de 2027, em Davos, sob a organização da Frontiers Science House. O evento reunirá líderes de políticas públicas, além de premiados de países como Bélgica, China, Peru e Estados Unidos, divididos em categorias de segurança hídrica, emissões, ecossistemas e inovação.








