Quem passa pela Rua 14 de Julho, na Praça Ary Coelho, encontra uma torcida diferente durante a Copa do Mundo. Ali, não é o futebol que dita o ritmo da competição, mas as pedras batendo na mesa. O esporte é outro, os atletas têm um pouco mais de experiência e a regra principal é clara: a disputa serve apenas para passar o tempo e reunir os amigos.
Há mais de oito anos, Amarildo Pereira, 62 anos, bate ponto no local para acompanhar e participar das partidas. Para ele e os colegas de tabuleiro, a atividade passa longe de envolver dinheiro. “Esse é um passatempo, né? É um esporte de passatempo. Não é valer nada. Não pode ser jogo apostado, então é só um passatempo dos velhos mesmo”, explica.
O clima é de descontração, mas a roda é seleta. A socialização tem público-alvo definido e, segundo o jogador, o momento de lazer é restrito. “É um lazer entre amigos. Só entre amigos, não pode gurizada nova, é só nós mesmo”, decreta, bem-humorado.
Ficar craque na modalidade exige paciência, virtude que a turma veterana tem de sobra para gastar por ali. E se engana quem pensa que falta emoção em comparação aos gramados. Para Amarildo, que é autônomo e árbitro de futebol, a rotina pede as duas paixões. “Sem os dois, nós não vivemos. Eu principalmente. É o esporte, primeiro lugar, depois o dominó”.
A tradição atrai gente que já fez do espaço uma extensão de casa. Embalados por conversas e novas rodadas, a garotada da terceira idade segue animando o próprio campeonato.








