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Top Literário: horror cotidiano é retratado de forma fantástica em 'As Coisas que Perdemos no Fogo'

Com protagonistas à margem da sociedade e um toque fantástico, Mariana Enriquez fala de medos universais na América Latina

O horror cotidiano em As Coisas que Perdemos no Fogo é um tapa na cara já no primeiro conto. Todos dias nos jornais, crimes brutais. Em nossas casas, nos preocupamos com nossa segurança e até nos orgulhamos de como aprendemos a viver em uma sociedade hostil. Mas será que poderíamos fazer mais?

O Menino Sujo foi o conto que mais me marcou nesta antologia, sobre uma mulher de classe média que vive em um casarão em um bairro decadente. Sempre absorta em si, ela trata uma mãe usuária de drogas e o filho como parte da paisagem, até o dia que a realidade bate à porta. Ela se compadece e ajuda em uma situação específica, mas quando um crime assombroso chama a atenção da polícia, a personagem passa a questionar seu papel na sociedade.

A Hospedaria remete à ditadura militar na Argentina de modo inteligente e instigante. Os Anos Intoxicados é um conto bastante elogiado, mas que não me interessou tanto. Ainda assim, devo destacar que a crítica à economia do país, o protagonismo de figuras à margem da sociedade e o toque sobrenatural são perfeitamente trabalhados.

Neste livro, a maioria das protagonistas é mulher. Assim, muitos sentimentos universais são abordados, como os laços de família e amizades femininas, os medos de estupros e violência doméstica e, especialmente, os questionamentos sobre relacionamentos infelizes. Interessante que, em entrevista, Marina revelou que evitou descrever mães para que as mulheres fossem vistas por vários ângulos, que não se resumem à maternidade. Curiosamente, o único conto protagonizado por um homem reduz a esposa ao papel de mãe. Pablito Clavó un Clavito é minha segunda história favorita, especialmente pelo final abrupto.

A Casa de Adela tem mais elementos do horror clássico e garante ao ambiente o status de personagem principal. Não é apenas um local, é uma entidade viva, com suas próprias histórias. Teia de Aranha, apesar do suspense e lembrete constante da pobreza espalhada pela América Latina, evoca um pouco de humor. Como seria bom se nossos problemas se resolvessem magicamente? E, não, o elemento fantástico não é usado como simples recurso deus ex machina.

Fim de curso e Nada de Carne Sobre Nós são contos de maldições e rituais macabros, não tão marcantes, mas nem por isso menos brilhantes. O Quintal do Vizinho e Sob a Água Negra trazem mulheres fortes, decididas, coerentes, mas que se envolvem em situações tensas, das quais é impossível sair com a saúde mental intacta.

Verde, Vermelho e Alaranjado trata a solidão, depressão e o impacto das redes sociais na vida das pessoas. O drama parece surreal às vezes, outras dá a impressão que já vimos algum caso parecido em algum lugar. De longe, é um dos terrores da vida moderna mais passíveis de acontecer.

Por fim, As Coisas que Perdemos no Fogo cria uma distopia onde as mulheres lutam contra o feminicídio de uma forma extremamente peculiar e violenta. Seriam as personagens as verdadeiras descendentes das bruxas queimadas em fogueiras? Feliz em ver uma produção latina rompendo fronteiras e sendo traduzidas em diferentes línguas. Com certeza lerei outras obras da autora.

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