O Instituto Guarda Animal, que atua no resgate, alimentação e proteção de animais de rua em Campo Grande, anunciou um possível encerramento de suas atividades, após ação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Atualmente a ONG acolhe 120 animais, todos resgatados de alguma situação de risco.
Segundo comunicado realizado pelas redes sociais do instituto, esse seria um dos momentos "mais difíceis desde a criação da ONG", conforme a fundadora Nathália Sousa. "Após anos dedicados à proteção animal, fui informada de que o Ministério Público entrou com processo contra nós e a posse dos animais será posteriormente transferida para a Prefeitura."
A audiência que decidirá o futuro da ONG está marcada para o dia 15 de julho. Se não convencer que os animais estão sendo bem cuidados, Nathália perderá o acesso à administração do local, incluindo contas bancárias e perfis em redes sociais, essenciais para divulgação de campanhas, adoções responsáveis e pedidos de auxílio.
Diante do possível fechamento, o Instituto publicou um apelo em seu perfil, por doações e apoio financeiro, já que, independente do resultado da audiência, contas precisarão ser quitadas até lá. "Independentemente do resultado desse processo, existem responsabilidades que ainda precisam ser cumpridas antes dessa transição. Continuamos com despesas de água, energia e dívidas acumuladas junto às clínicas veterinárias que atenderam nossos resgatados ao longo dos anos", explica.
Após o encerramento das atividades da ONG, as despesas financeiras restantes serão transferidas para a responsabilidade de Nathália. "Preciso pagar com urgência tudo isso."
Adoções responsáveis
Na postagem, a fundadora ainda salienta a preocupação com os animais acolhidos pelo Instituto Guarda Animal, já que muitos vivem em uma situação de vulnerabilidade pela questão da saúde. "Vivemos uma situação extremamente urgente: alguns dos nossos animais positivos para leishmaniose precisam encontrar lares responsáveis". Segundo ela, sem a adoção, os animais serão encaminhados para eutanásia pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses).
"Nada apaga a história construída até aqui, nem o amor que dedicamos a cada vida salva. Mas agora precisamos unir forças para garantir que esses animais tenham um futuro digno e que todas as pendências sejam regularizadas da forma correta", apela.
"Assédio judicial"
Em novo vídeo publicado nas redes, o advogado da ONG, Eduardo Pracz, explicou como a organização funciona, principalmente nas mãos de Nathália. "Para quem não sabe, a Nathália e a Paola [irmãs e fundadoras da ONG], desde 2018, acredito que até antes, participam ativamente do movimento em prol da causa animal e, desde essa época, já resgataram e acolheram incontáveis animais em situação de abandono, em situação de maus-tratos, sempre em péssimas condições, sobretudo de saúde”, disse.
Ele destaca que tudo foi feito com limitações orçamentárias e físicas das fundadoras, que sobrevivem exclusivamente de doações, sem receber apoio financeiro do Estado ou da Prefeitura de Campo Grande.
“As meninas vivem um verdadeiro ato de ‘sacerdócio', por assim dizer, para garantir o maior bem-estar possível para esses cães e gatos que foram resgatados: levaram eles para tratamento veterinário em clínica particular, castraram, chiparam, medicaram, alimentaram e ofereceram um lar. E tudo isso é muito caro”.
O Ministério Público atua na fiscalização do local desde 2002. Dois anos depois, em 2024, as proprietárias da ONG chegaram a ser presas em flagrante por supostos crimes ambientais, o que é negado pelo advogado. “Segundo o MP e a polícia, elas estariam deixando os animais em condições insalubres de saúde. A promotoria parece desconhecer que é uma ONG voltada ao tratamento de animais abandonados em situações de maus-tratos. Não é uma ONG para você acolher um Lulu da Pomerânia, é uma ONG que pega esses animais em péssimas condições de saúde”, alega.
Pracz também destacou que, após a prisão, os animais ficarão sob responsabilidade da mãe das jovens, de 75 anos. “O MP acusou elas, mas não destinaram esses cachorros, esses gatos para outro espaço. Por quê? Porque não existe um local para eles. A Prefeitura já disse que não irá se responsabilizar. Eles delegam essas políticas públicas para as ONGs”.
O advogado ainda esclareceu que a audiência marcada será conciliadora, em busca de um ‘meio-termo’ para a situação.
“Por isso, venho pedir ajuda mais uma vez. Seja por meio de doações, compartilhamentos ou adoções responsáveis, toda ajuda fará diferença neste momento tão delicado. Tenho 120 animais ao todo até hoje. Se cada um adotar um, já ajuda demais!”, finaliza Nathália.
Quem quiser ajudar ou adotar pode entrar em contato pelo WhatsApp: (67) 99844-4439. Pix podem ser feitos pela chave 37.912.316/0001-60 ou por meio do link: 6182474@vakinha.com.br
O que diz o MP?
Em atenção à sua solicitação de posicionamento institucional sobre a ação envolvendo o Instituto Guarda Animal, o MPMS esclarece que por se tratar de uma ação civil pública, o teor pode ser acessado por meio do nº 0908341-69.2026.8.12.0001.
A presente ação civil pública foi instruída com base em laudos técnicos da Vigilância Sanitária e relatórios circunstanciados das forças policiais. Tais documentos apontaram a necessidade de adequações urgentes na estrutura e no manejo dos animais na referida Organização Não Governamental (ONG).
Cabe destacar que esta não é a primeira medida de natureza similar adotada pelo órgão na comarca, visto que a fiscalização de abrigos visa resguardar tanto a saúde pública quanto a integridade dos próprios animais tutelados.
O objetivo principal da ação não é o encerramento deliberado das atividades da ONG, mas sim garantir que os cerca de 120 animais acolhidos estejam em condições dignas e que a saúde coletiva da região não seja posta em risco.
Caso a ação seja julgada procedente e ocorra o encerramento das atividades do Instituto, o pedido requer que o Município de Campo Grande assuma a guarda, os cuidados e a destinação adequada de todos os animais atualmente abrigados no local.









