Cinco viaturas da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande foram abastecidas 358 vezes em operações registradas na filial Sesau-Gestão, aponta auditoria do CMS (Conselho Municipal de Saúde). Os registros, feitos entre outubro de 2025 e junho de 2026, somam R$ 52.601,26 e fazem parte do contrato de gerenciamento e fornecimento de combustíveis da frota vinculada à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).
As viaturas são cinco Renault Stepway que, segundo o relatório, haviam sido destinadas institucionalmente à Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social) e à GCM. Documentos citados pela auditoria mostram que os veículos faziam parte de um lote transferido para Campo Grande para atender à área de segurança e seriam utilizados, entre outras atividades, em rondas escolares.
No período analisado, os cinco veículos consumiram 10.842,41 litros de combustível. Das 358 operações identificadas, 357 permaneceram ativas e uma, de R$ 150, foi estornada. Os valores registrados por viatura ficaram entre cerca de R$ 9,6 mil e R$ 11,2 mil.
A suspeita de uso de dinheiro da Saúde surge porque o contrato analisado pela auditoria tem como partes a Sesau, o Fundo Municipal de Saúde e a empresa responsável pelo gerenciamento dos combustíveis. O quarto termo aditivo também registra fontes de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo o relatório, esses elementos, somados ao fato de os abastecimentos estarem classificados como Sesau-Gestão, sustentam um nexo com o fluxo de custeio da Saúde.
A auditoria, porém, ressalta que ainda não é possível afirmar que os R$ 52,6 mil saíram efetivamente do Fundo Municipal de Saúde. Isso porque não foram apresentados empenhos, liquidações ou ordens bancárias individualizadas que permitam apontar qual fonte pagou cada abastecimento.
“O achado prioritário é o possível uso do fluxo contratual da SESAU/FMS para abastecer cinco viaturas identificadas como destinadas à SESDES/GCM”, aponta Jader Vasconcelos, coordenador da Mesa Diretora do Conselho Municipal de Saúde, que assina o relatório.
Outro ponto que chamou atenção dos auditores foi a identificação de 86 CPFs distintos associados aos abastecimentos das cinco viaturas. Todos estavam ausentes do arquivo de usuários cadastrados na plataforma de combustível analisada. O relatório destaca, no entanto, que isso não comprova falta de vínculo funcional ou abastecimento irregular, já que a base também não permite identificar, por si só, quem conduziu os veículos ou autorizou cada operação.
O relatório recomenda que a administração municipal esclareça a origem dos recursos usados nos abastecimentos e apresente a documentação necessária para identificar quem autorizou as operações e qual era a finalidade de uso dos veículos.
A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para se manifestar sobre os apontamentos da auditoria, especialmente sobre a origem dos recursos utilizados nos abastecimentos e o vínculo das viaturas com a Sesau e aguarda retorno.








