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sábado, 05 de dezembro de 2020
Cidade Morena

Colapso na UFMS se aproxima, dizem manifestantes pela educação em Campo Grande

Mesmo antes de contingenciamento de R$ 30 milhões, protesto chama atenção para falta de investimentos e reúne centenas no Centro

30 maio 2019 - 17h00Por Amanda Amaral

Aproximadamente 500 pessoas se concentram na Praça Ary Coelho, Centro de Campo Grande, em manifestação contra o contingenciamento de recursos das universidades federais anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). Só na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o impacto seria de R$ 30 milhões a menos.

O ato acontece desde as 15h da tarde desta quinta-feira (30), dia em que ocorre a mesma agenda em diversos outros municípios pelo Brasil. Em cartazes, faixas e falas dos participantes, é ressaltado que não há vinculação partidária no protesto, mas entidades sindicais e figuras políticas estiveram presentes, pedindo também pela não aprovação da Reforma da Previência.

Professora há 33 anos, Cléovia Almeida de Andrade alerta que os reflexos da falta de recursos financeiros já são sentidos antes mesmo de efetivado o contingenciamento, o maior que já viu em mais de três décadas de profissão. “Xerox não tem mais, temos que deixar de fazer muitas coisas, imagina depois de um corte drástico desses? É importante frisar que esse orçamento já estava aprovado, impacta em projetos de pesquisa, bolsas, infraestrutura, tudo”, lamenta a docente do curso de Letras da UFMS. 

Professoras temem pelo funcionamento da UFMS nos próximos meses. (Foto: Wesley Ortiz)

As professoras Edna Brum e Juçara Zanoni Nascimento, respectivamente dos cursos de Letras da UFMS e da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), frisam que o impacto é nacional e sem precedentes. “Imagina em cursos de ciências biológicas, o quanto vai ser perdido? Como administra sem água, luz? O medo de tudo parar é real e protestaríamos igual em uma situação assim contra qualquer governo, pode ser Haddad, qualquer um. Educação não tem partido”, adiciona Edna.

Para os doutorandos Emmanoel Veras, 26 anos, e Nathalia Fidelis, 25, a falta de verba atinge diretamente uma cadeia de trabalhos desenvolvidos há anos. Os dois vieram de Natal, capital do Rio Grande do Norte, para avançar suas pesquisas em ciência animal.

Pesquisadores dizem que falta entendimento de trabalhos desenvolvidos nas universidades. (Foto: Wesley Ortiz)

“Falta um entendimento que o que é desenvolvido na universidade é para a população, todo investimento tem um retorno, é diluído para um bem maior. Há informações distorcidas, não há recursos suficientes e precisamos tirar do próprio bolso, mesmo com as bolsas de incentivo. Também gostaríamos que houvesse transparência sobre onde cada coisa é investida, para que todos tivessem noção da realidade”, diz Emmanoel.

Presidente da ACP (Sindicato Campo-grandense de Profissionais da Educação), Lucílio Nobre também participa do protesto. “Não tem sentido deixar de investir na formação universitária, porque acaba esvaziando também a educação básica, onde tudo começa. A gravidade disso é enorme e esperamos que esse contingenciamento seja suspenso, a educação não espera”, avalia.

(Foto: Wesley Ortiz)

O ato acontece pacificamente, com a presença também de alunos de escolas estaduais, municipais, do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e administrativos da universidade federal.

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