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domingo, 07 de março de 2021
Cidade Morena

Gaeco pede que máfia devolva R$ 89 milhões e cassação do deputado Jamilson Name

Parlamentar se tornou réu por lavagem de dinheiro, exploração do jogo do bicho e organização criminosa

18 janeiro 2021 - 20h21Por Thiago de Souza

O Gaeco, Grupo do Ministério Público Estadual que, junto da Polícia Civil, desbaratou os crimes praticados pela família Name, em MS, pediu à Justiça a devolução de R$ 89 milhões em bens dos réus. Na mais recente denúncia, o MPE quer a cassação do mandato do deputado estadual Jamilson Name. 

Conforme a denúncia, datada de 15 de janeiro deste ano, os promotores acusaram Jamilson Name por crimes como organização criminosa armada, lavagem de capitais e exploração ilegal do jogo do bicho. 

Para chegar ao pedido, além de todas as investigações já feitas, o Gaeco obteve vários indícios de crimes durante a deflagração da 6ª fase da Omertà, chamada de Arca de Noé, em 2 de dezembro do ano passado. 

As informações vieram da análise de conversas telefônicas, mensagens de aplicativos, fotos e vídeos, que mostraram uma complexa e bem organizada rede de exploração do jogo ilegal em Campo Grande, que usava a mesma estrutura financeira e logística do Pantanal Cap. 

Ao todo, 15 pessoas foram investigadas e/ou denunciadas por diversos crimes, com destaque para Eltom Pedro de Almeida. Foi do celular dele que vieram boa parte das informações para embasar a denúncia. Outro destaque fica por conta de Darlene Luiza Borges, conhecida como ‘’Dadá’’, que aparenta ter posição de destaque na organização criminosa e se encontra presa no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi, na Capital. 

A investigação flagrou a negociação de Jamil Name e seus agentes financeiros para a compra de 47 motocicletas em uma concessionária, em Campo Grande, usadas pelos capangas que faziam o recolhimento do dinheiro das apostas e também a entrega do dinheiro dos prêmios. Foram encontrados 200 pontos da venda de jogo do bicho na cidade.

Ao final da denúncia, o MPE pediu que a Justiça autorize a devolução de valores arrecadados ilegalmente pela Família Name e pelos sicários que serviam os chefes. 

‘’Pugna, por fim, pela decretação da perda dos valores encontrados por ocasião do cumprimento dos mandados de busca e apreensão (art. 91, II, CP65), bem como dos bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes de lavagem de capitais narrados nos tópicos “4” e “5” desta peça acusatória, como efeito da condenação, no importe de: a) R$ 89.800.000,00...’’, diz trecho da denúncia. 

Os promotores também pedem punição a Jamilson Name, eleito deputado estadual em 2018. 

‘’... como efeito da condenação, seja decretada a interdição dos denunciados para o exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza...’’, escreveu a Gaeco. 

O pedido foi feito à 3ª Vara Criminal de Campo Grande. 

Confira a lista dos investigados e ou denunciados pelo MPE. 

Jamil Name;  Jamil Name Filho, Jamilson Lopes Name; Agustinho Barbosa Gomes, o ‘’Agustinho’’; Cícero Balbino, ‘’o Cicinho’’; Cláudio Rosa de Moraes, o ‘’BX’’ ou ‘’Claudião’’; 
Darlene Luiza Borges, a ‘’Dadá’’; José Ney Martins; Leonir Pereira de Souza, o ‘’Léo BX’’; Marcilene de Lima Ferreira; Paulo Sérgio Paes de Lira; Patrícia Pereira Lira, a ‘’Paty Lira’’; 
Raimundo Nery de Oliveira; Renato de Lima Fontalva; Ricardo Alexandre Cáceres Gonçalves e 
Tatiana Freitas, a ‘’Taty’’. 

O espaço está aberto à manifestação dos citados.