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Cidades

Após denúncia do TopMídiaNews, governo suspende salário de réu na Lama Asfáltica que foi promovido

Pagamento de Beto Mariano, que está preso com Puccinelli e João Amorim, é de R$ 21,4 mil

17 agosto 2018 - 19h48Por Thiago de Souza e Celso Bejarano

O servidor da Agência Estadual de Gestão e Empreendimentos (Agesul), Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano, foi agraciado com promoção por antiguidade no órgão, informação dada pelo TopMídiaNews, nesta sexta-feira (17). Ocorre que, ao saber da notícia, o governo do estado suspendeu o salário do servidor, que está preso por corrupção, e agora ele não vai usufruir do aumento de salário, publicado em Diário Oficial do Estado.

Em nota, o governo detalhou que a promoção no órgão se deu por antiguidade e foi contabilizado em 31/12/2017, quando Mariano ainda estava solto. A promoção na carreira não fere a legislação, observa o poder executivo estadual.

O governo destacou ainda que, apesar de não ter sido notificado pela justiça para adoção de medidas restritivas em relação à vida funcional do servidor, determinou, diante da ausência de Beto ao serviço, suspender o  pagamento dos salários ''de modo que o servidor não usufruirá dos efeitos financeiros decorrentes da promoção por antiguidade''.

Com a promoção, Beto Mariano saiu da classe G e foi H, a sigla dos servidores estaduais com os mais polpudos salários. Engenheiro Civil e afastado do cargo por determinação da atual gestão, Mariano, na carteira de trabalho, ocupa o cargo de Fiscal de Obras da Agesul.

O último salário dele, o de julho, segundo o Portal da Transparência do Estado de MS, depois das deduções obrigatórias, foi de R$ 14.457,02.

Investigação

Foi na Agesul, órgão que Beto trabalha, segundo investigações da Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal deflagrada em julho de 2013, que solidou o maior esquema de corrupção envolvendo políticos, empresários e servidores de alta patente já descoberto em Mato Grosso do Sul.

A operação, que envolvera a PF, Ministério Público Federal, Receita Federal e Controladoria Geral da União, revelou que a trama da corrupção, como superfaturamento de obras, fraudes em licitação e lavagem de dinheiro, funcionou na gestão do também preso, o ex-governador André Puccinelli (MDB – 2007-2014).

Ainda de acordo com a apuração, a Agesul era, de fato, comandada pelo então secretário de Obras do período, Edson Giroto, outro preso. Giroto validava, segundo a investigação, superfaturamentos de obras ou recebimentos por obras, como pavimentação de estradas estaduais sem que estas estivessem terminadas.

Giroto, o cunhado Flávio Garcia Scrocchio, Beto Mariano e o empreiteiro João Amorim, da empresa Proteco, que pavimentava estradas e vias urbanas para o Estado e tocava grandes obras, como a do Aquário Pantanal, foram detidos em 8 de maio por determinação do STF (Supremo Tribunal de Justiça). Todos viraram réus por suposta participação no esquema investigado na Lama Asfáltica.

A filha de Giroto, a médica endocrinologista Mariane Mariano, também foi incriminada no episódio está presa em regime domiciliar por cuidar de filho pequeno. O recurso pela libertação dos implicados no caso está no STF.

Puccinelli foi preso no dia 20 de julho passado e a apelação pela soltura já foi negada pelo STF. Agora, seus defensores tentam a liberdade no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).