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quinta, 20 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Em três anos de Operação, Lama Asfáltica levou 11 para ver 'sol quadrado'

Investigação que pôs Puccinelli na cadeia é a maior contra corrupção que se tem notícia em MS

28 julho 2018 - 07h00Por Celso Bejarano

Nove de julho de 2015, seis horas da manhã, em Campo Grande, policiais federais saíram às ruas e deram ali início a Lama Asfáltica, uma megaoperação que passou a contar a maior história de corrupção que se tem notícia em Mato Grosso do Sul.

De lá para cá, foram seis operações com este desfecho: hoje, 28 de julho de 2018, três anos depois, 11 pessoas, entre as quais ex-governador, o filho, ex-deputado federal, estadual, ex-prefeito, ex-secretário de Obras, estão mantidos encarcerados como membros de quadrilha que lavava dinheiro, superfaturava obra, fraudava licitações e corrompiam servidores públicos.

O histórico policial acima tem sido demonstrado por policiais federais e servidores da CGU (Controladoria Geral da União), Receita Federal e o MPF (Ministério Público Federal).

O que os investigadores ainda não sabem ao certo é a cifra exata desviada dos cofres estaduais entre os de 2007 a 2014, período governado por Puccinelli. Estima-se em R$ 300 milhões.

Na lista dos presos, por importância na organização, segundo a PF, está o ex-governador André Puccinelli (MDB), o ex-deputado federal Edson Giroto (PR), o empreiteiro João Amorim, o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Paranaíba, Wilson Roberto Mariano de Oliveira, um cunhado de Giroto, o empresário Flávio Henrique Scrocchio, o filho de Puccinelli, o professor de Direito André Júnior e o amigo João Paulo Calves, também professor da área jurídica.

Outros detidos, mas em regime domiciliar por serem mães de crianças pequenas: Raquel Giroto (mulher de Giroto), Mariane Mariano de Oliveira (filha de Wilson Roberto), Ana Paula Amorim (filha de João Amorim) e Elza Cristina Araújo dos Santos (sócio de João).

HISTÓRICO

Em 9 de julho de 2015, a primeira etapa da Lama Asfáltica, o MPF pediu a prisão de 38 pessoas, no entanto, o juiz federal Dalton Igor Kita Concrado concordou apenas em autorizar 19 mandados de busca e apreensão. À época, Puccinelli, o ex-governador, não foi incomodado pelos policiais federais.

De lá para cá foram mais quatro operações. Em maio do ano passado, a 3ª Vara Federal, em Campo Grande, mandou por tornozeleira eletrônica em Puccinelli, mas a medida caiu logo graças a um recurso aceito pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). 

Em novembro do mesmo ano, a mesma corte federal da Capital determinou a prisão de Puccinelli e o filho, mas, em menos de dois dias, o TRF-3 mandou tirar o ex-governador e o filho da cadeia.

Durante as fases da Lama Asfáltica, a justiça mandou prender Giroto e Amorim por quatro ocasiões. A última, em maio passado, por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Para o MPF, o ex-governador seria o chefe da organização que fraudava licitações, superfaturava obras e lavava dinheiro. Edson Giroto, que ocupava a chefia da Secretaria Estadual de Obras, e o empreiteiro João Amorim também tinham importância graúda no esquema.

Dia 20, sexta-feira retrasada, data que a Justiça Federal mandou prender Puccinelli de novo, a corte liberou o pedido de prisão feito pelo MPF.

Nele consta que o ex-governador e o filho escondiam documentos que eram mantidos num pequeno imóvel na região do Indubrasil, bairro afastado do centro de Campo Grande. Na papelada, a PF descobriu contratos de transações de gado, compra e venda de safras agrícolas, além de declarações de imposto de renda, materiais que têm sido examinados pelos investigadores.

No mandato de prisão de Puccinelli é dito ainda que ele mantinha uma espécie de “poupança de propina”, cujo dinheiro era arrecadado por meio de empresas como a JBS, aquela investigada durante a operação Lava Jato.

Ainda segundo o MPF, o filho de Puccinelli criou a empresa Instituto Ícone, de estudos jurídicos, e é por ali que transitava o dinheiro da propina. Esse negócio está em nome de um dos detidos, João Paulo Calves, advogado, amigo de Puccinelli Júnior, o verdadeiro dono do instituto, segundo o MPF.