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‘Não somos os vilões’: contra Reforma da Previdência, trabalhadores ameaçam greve geral em MS

Categorias lotaram audiência pública com o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, em Campo Grande

13 MAI 2019
Amanda Amaral
16h40min
Foto: Wesley Ortiz

Mais de 40 entidades trabalhistas estiveram na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para ouvir e debater sobre a Reforma da Previdência nesta segunda-feira (13). Em unanimidade, alertam: se a medida caminhar para a aprovação na Câmara Federal, haverá greve generalizada.

A audiência pública teve a presença do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, servidor público do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e também ex-secretário-executivo da Aviação Civil, em 2016. O debate foi proposto pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT). 

Mato Grosso do Sul é o 17º estado visitado pelo ex-ministro para falar sobre o assunto. “Pretendo visitar todo o país, porque esse é um assunto urgente e precisamos debater uma solução, que não virá com a PEC 06. Não só impacta nossos direitos como trabalhadores, como é um total desmonte do sistema de proteção social brasileiro”, declarou.

Presidente do Sindsep-MS (Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Mato Grosso do Sul), Adilson Nascimento dos Santos diz que a aprovação da medida é um golpe aos direitos já conquistados das categorias.

“Nós não somos os vilões, esse déficit é um factoide criado pelo governo, muito por causa da reforma trabalhista, quando o país deixou de crescer. A precarização e informalização dos trabalhadores aumenta, enquanto militares de alta patente não são considerados na reforma e somam o maior rombo nas contas”, afirma.

O representante afirma que mais de 500 servidores ativos do sindicato pretendem participar da greve no dia 14 de junho. “Não é o que queremos, porque acaba penalizando quem depende do serviço público, mas talvez não tenhamos outra forma”, diz.

Presidente do Sintect-MS (Sindicato dos Trabalhadores nos Correios de Mato Grosso do Sul), Elaine Regina de Souza Oliveira afirma que a categoria se organiza no mesmo sentido, e mais de 1.350 trabalhadores podem parar sem prazo definido no estado. “Estamos nos mobilizando, deixando a categoria ciente em relação reforma, que nos impacta diretamente. A maioria está aterrorizada e tentando aposentar antes que passa, mas acredito que podemos barrar”.

A revolta é também por conta da possibilidade de privatização dos Correios no país, que conta com 105 mil trabalhadores sindicalizados. “Boa parte da sociedade acredita que privatizando vai melhorar, mas é ao contrário, além de encarecer deixa parte da população sem o serviço, que pelos Correios é uma função social”, classifica. 

O deputado Dagoberto Nogueira (PDT) também esteve presente. “Do jeito que está a reforma é um desastre, não combate privilégio nenhum. Depois da reforma trabalhista, ficou muito pior do que era antes e se não houver mobilização agora, vai passar, não vamos conseguir virar votos”, alerta.

Durante o evento, foi lida uma carta-manifesto, com a posição das entidades e movimentos sociais, contrária à aprovação do projeto da Reforma da Previdência. A carta será enviada aos deputados federais e senadores de Mato Grosso do Sul.

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