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Cidades

Vazou na internet: Vale registrou 'quase acidente' de potencial catastrófico em Corumbá

Acidente que poderia atingir região do Pantanal ocorreu em 5 de janeiro deste ano

30 janeiro 2019 - 16h34Por Thiago de Souza

Relatórios confidenciais, hackeados do sistema da Vale, mostram que a empresa multinacional registrou um 'quase acidente' em Corumbá e que este, se ocorresse, causaria danos catastróficos na região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul.

As informações do ataque cibernético à Vale foram enviadas ao site TecMundo. As informações, que somam cerca de 40 mil arquivos, mostram relatos de incidentes em plantas da mineradora no Brasil e em quatro países, ocorridos, supostamente entre 2017 e 2019.

Na situação de Corumbá, portal do Pantanal, onde se encontra uma das maiores diversidades da fauna e flora do mundo, consta que o incidente ocorreu em 5 de janeiro deste ano, na pasta de arquivo descrita como ''Cor_URU_Mina Subterrânea".

No relatório, o acidente foi descrito como ''controlado'' e sem impactos para a comunidade. No campo da descrição resumida do fato, há a seguinte informação:

''Centro-Oeste Material Ger Oper URM Mn queda de material em Fandrill''. Já no campo de descrição detalhada, o relato é o seguinte:

''A equipe de perfuração iniciou a atividade com o Fandrill no acesso da Nildete às 01:00h Após realizar sete furos de cinco metros perceberam uma movimentação na lateral direita da galeria, e decidiram parar a atividade e recolher as hastes que estavam no furo   e em seguida houve queda de material na lateral do equipamento''.

Na tabela do registro, o incidente foi teve impacto financeiro de potencial ''leve'' para a empresa.

Registro de acidente que seria catastrófico para o Pantanal. (Foto: Reprodução Tecmundo)

Entre outras ocorrências, há vazamentos de 500 litros de óleo no mar, no Rio de Janeiro, e acidente onde um motorista da empresa morreu e outros ficaram feridos na região de Turmalina (MG).

A mineradora é a segunda maior empresa desse ramo no mundo e responsável pela tragédia de Brumadinho, ocorrida na sexta-feira passada, dia 25 de janeiro.

Os hackers não detalharam como a companhia foi invadida, apenas notaram que os documentos foram extraídos por meio de uma falha na URL oculta que estava aberta ao público — “Indexação de documentos secretos em um subdomínio oculto, por meio de motores de busca”, notaram.   

Outro lado

Após a publicação da reportagem ontem, a mineradora enviou uma nota, nesta quinta-feira (31), com o posicionamento:

A Vale informa que a ocorrência citada não tem relação com nenhuma das barragens de sua propriedade. Além disso, a ocorrência refere-se a um quase acidente, ou seja, não houve lesão a qualquer empregado, nem danos materiais ou danos ambientais. Como forma de prevenção, este tipo de evento é registrado, criteriosamente analisado e tratado para que seja evitada a recorrência. 

Quanto à severidade reportada como catastrófica, esta se refere às lesões que poderiam ser causadas aos empregados envolvidos no incidente. Em relação ao meio ambiente, conforme pode ser visto no registro, a classificação é “sem consequências”. 

A Vale esclarece, ainda, que não houve falha técnica no site Sharepoint ou invasão de seu ambiente de TI. Os arquivos de uso interno que foram atribuídos a um vazamento, na verdade, estavam disponíveis em área pública do site da empresa (www.vale.com) . As informações contidas nos documentos são registros e tratativas dos incidentes e quase acidentes de segurança. Esse registro é obrigatório na Vale e faz parte de seu sistema de Gestão de Saúde e Segurança e Meio Ambiente.

 

* Matéria editada às 16h55 de 31/1