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26/03/2017 11:30

ONG vira referência nacional com projeto para presos reformarem prédios públicos em Campo Grande

Entidade começou com dez reeducandos e hoje conta com 275 trabalhando

Foi com apenas dez reeducandos que o CccgMS (Conselho da Comunidade de Campo Grande) começou a atuar em Campo Grande, no ano de 1999. 18 anos depois, a entidade conseguiu sede própria e viu o número de presos participantes do programa saltar para 275, que prestam serviços em órgãos públicos e empresas privadas e assim conseguem se reinserir na sociedade.

Um dos fundadores, Nereu Rios, lembra que o início foi bastante difícil quando tinha de convencer órgãos públicos e empresas privadas a aceitar o trabalho de internos dos regimes aberto e semiaberto. ''As pessoas ficavam com o 'pé atrás'. O próprio reeducando era deseducado, levava droga para o local de trabalho, mas agora eles estão conscientizados'', revela.

''Hoje estamos em sete empresas privadas e mais 13 contratos públicos, sendo um bom exemplo a Embrapa Gado de Corte'', conta Nereu. 

Ainda de acordo com o fundador, o primeiro e mais marcante trabalho dos internos no programa é a manutenção do Parque das Nações Indígenas, nos altos da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. ''Lá eles fazem trabalho de portaria, pintura, hidráulica, jardinagem e atuam também na Prefeitura do Parque dos Poderes'', explica.

Manutenção do Parque dos Poderes é marca do programa

(Reeducandos recebem treinamento para trabalhar em órgãos e empresas - Foto: Divulgação)

Com o tempo, novos projetos foram sendo incorporados ao trabalho do Conselho. Um deles é o Mãos que Constroem,  onde os presos contratados reformaram a 4ª Delegacia de Polícia, nas Moreninhas. Com a atuação dos reeducandos, o governo do Estado economizou 75% do valor da obra, cerca de R$ 400 mil, se comparado ao modelo tradicional com licitação. Nesse programa, os trabalhadores recebem um salário mínimo, mas tem 10% dele descontados para o custeio da reforma. Além disso, a cada três dias trabalhados, um dia é reduzido na pena.

Também existe o Programa Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade, que já proporcionou a reforma de ao menos seis escolas na Capital. A autoria do projeto foi do juiz Albino Coimbra Neto.

O índice de reincidência de participantes do programa no crime varia de 8 a 10%, segundo Nereu Rios. Para ele, o dado é satisfatório e mostra que é preciso dar oportunidade ao preso. ''É preciso dar uma chance para que ele tenha condições de se sustentar. Infelizmente, em muitas ocasiões, a sociedade 'vira as costas' e aí a única saída do cara é voltar para o crime'', conta Nereu. Esse modelo de trabalho serviu de inspiração para governos de outros estados, como o Mato Grosso e é destaque na mídia nacional, principalmente pelo reconhecimento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A mão de obra da cadeia é conseguida graças ao convênio com o Patronato Penitenciário de Campo Grande. Ali, o preso passa por uma triagem e é encaminhado para uma empresa  e ''se não se adaptar, ele SAI''. O preso pode permanecer no programa enquanto estiver cumprindo pena.

Segundo Nereu, o sucesso do programa está no fato de muitas empresas contratarem o ex-presidiário em carteira assinada. ''Muitos se especializaram e já abriram microempresas. Muitos que ainda estão no programa estão faturando dois mil e quinhentos reais'', celebra Rios.

O Conselho da Comunidade de Campo Grande fica na Rua Jamil Basmage, 1561, na Mata do Jacinto. O telefone de contato é: (67) 3042-7646.  

Manutenção do Parque dos Poderes é marca do programa

(Participantes de programa recebem salário mínimo e reduzem pena - Foto: Divulgação)

 

 

 

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