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Chefe de gabinete que 'ajudou' a tirar filho traficante de desembargadora da prisão deixa o cargo

Amigos do agente penitenciário disseram que saída dele tem a ver com questões ligadas à saúde

05 junho 2019 - 19h00Por Celso Bejarano, de Brasília

Pedro Carrilho de Arantes não é mais chefe de gabinete da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

Há duas versões que explicariam sua saída: a pedido, por questões de saúde; ou, por ele ter sido denunciado pelo MP-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por suposta participação na operação policial que tirou da prisão, de maneira ilegítima, um filho da então presidente do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral), Tânia Garcia de Freitas Borges.

O rapaz havia sido preso por tráfico de drogas e foi levado de uma prisão, em Três Lagoas, para uma clínica médica.

A magistrada foi afastada do cargo por determinação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O TopMídiaNews tentou conversar com o Carrilho, mas ao menos até a manhã desta quarta-feira (5), não tinha conseguido.

Amigos seus disseram que o ex-chefe de gabinete estaria enfrentando sérios problemas de saúde, daí decidiu deixar o cargo.

A reportagem obteve cópia de um diálogo de Carrilho com um grupo de agentes penitenciários por meio do WhatsApp.

Na conversa, o ex-chefe de gabinete diz que se aposentou (amigos seus confirmaram à reportagem que ele tinha pedido a aposentadoria no início do ano) e compartilhou uma mensagem de despedida com colegas de profissão. Veja trecho do diálogo:

“Caros colegas. Expresso toda minha gratidão a todos que me ajudaram a chegar até aqui. Sempre amei os desafios da nossa profissão e tenho orgulho de ser agente penitenciário – hoje aposentado. Aprendi desde cedo que não se conquista sozinho, por isso agradeço a todos que me aconselharam – de muito a vocês! Com todo meu respeito, ética e carinho, obrigado! Sucesso a todos”.

PROCESSO

Carrilho Arantes foi denunciado em janeiro do ano passado pelo MP-MS e a Justiça, em Três Lagoas, acatou a ação penal por falsidade ideológica e prevaricação, que é um crime praticado por servidor público quando, de modo indevido, retarda ou deixa de exercer ato de ofício, ou atua contra disposição legal expressa, visando satisfazer interesse pessoal.

De acordo com a 29ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, que moveu a ação contra Carrilho, foi ele que determinou que o encarcerado, filho da desembargadora, fosse liberado antes mesmo da emissão do alvará de soltura.

O processo contra Carrilho, o de número 0000544-06.2018.8.12.0021, está “concluso para decisão” desde o dia 24 de abril passado, segundo informações do TJ-MS (Tribunal de Justiça).

PRISÃO

O filho da magistrada, Breno Borges, foi preso no início do ano passado pela por policiais rodoviários federais que o flagram carregando no carro quase 130 quilos de maconha e 199 munições de armas de uso restrito das Forças Armadas do Brasil. A prisão ocorrera na cidade de Água Clara, perto de Três Lagoas. Depois de levado para clínica de recuperação, por decisão judicial, o rapaz foi reconduzido à prisão, onde está até hoje.

Para tirar o filho da prisão e levá-lo para a clínica, a desembargadora agiu pessoalmente na operação.