TCE Novembro
Menu
segunda, 29 de novembro de 2021 Campo Grande/MS
ALMS - NOVEMBRO
Polícia

Acusado de ajudar a matar delegado nega crime e diz que fugiu no susto

Vigilante confirmou ter motocicleta semelhante à usada no crime, mas disse que estava na casa de um vizinho no horário do crime

29 agosto 2018 - 10h50Por Diana Christie e Dany Nascimento

Acusado de participação na morte do delegado Paulo Magalhães, o vigilante Antônio Benites Cristaldo, 42 anos, negou ter dado cobertura para a execução do crime e disse que apenas fugiu da polícia por medo da movimentação estranha perto da casa dele. Ele é julgado na manhã desta quarta-feira (29), na 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Antônio começou o depoimento confirmando que conhece José Moreira Freire, condenado há 18 anos de prisão por assassinar Paulo Magalhães. Eles trabalharam juntos em um bingo há cerca de 15 anos. Ele conta que, no entanto, á época do crime, trabalhava como porteiro do El Kadri durante a noite e na Funlec no período diurno.

No dia do assassinato, Antônio alega que chegou por volta das 16h30 na casa de um vizinho chamado Silvio e lá ficou jogando carteado até por volta das 19h30 quando passou na casa do tio, onde acontecia um churrasco com a presença de vários primos. No local, ele diz que tomou meia dúzia de cerveja, acabou cochilando e dormiu no sofá.

Segundo ele, o tio lhe pediu para dormir no local e ele ficou. No outro dia de manhã, pegou uma carona para ir para casa e foi deixado pelo tio na esquina de onde mora. Neste momento, o acusado alega que percebeu movimentação de polícia na casa dele e foi alertado por um andarilho que algo estranho estava ocorrendo.

Supostamente com medo de ser uma ação de bandido, Antônio subiu no primeiro ônibus que viu e foi para a casa de um amigo. Em depoimento, o vigilante declarou que mentiu para o amigo, dizendo que tinha brigado com a esposa e pediu abrigo. Ainda comentou que não ligou para a família porque perdeu o celular, que estava no bolso da calça.

Antônio conta que, depois de um tempo conseguiu contato com o irmão, quando soube que estava sendo procurado pela polícia e de toda a situação envolvendo o assassinato do delegado. Em sua defesa, ainda alegou que nunca teve problema com a polícia até então e que, inclusive, estava com uma lesão no joelho à época, causada por um acidente de trânsito, que atrapalhava sua locomoção.

Apesar disso, o vigilante confirmou que tinha uma motocicleta 300 vermelha, semelhante a vista nas câmeras de segurança da região onde Paulo Magalhães foi assassinado, mas que vendeu o veículo pouco tempo antes. Também negou ter ameaçado três testemunhas levantadas pela acusação.

O caso

O delegado aposentado da Polícia Civil, Paulo Magalhães, foi assassinado a tiros no dia 25 de junho de 2013, perto da escola da filha, no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande. No local do crime, peritos encontraram quatro cápsulas de pistola nove milímetros, de uso permitido da polícia.

No total, três homens são suspeitos de cometer o crime: José Moreira Freire, o vigilante Antônio Benites Cristaldo e Rafael Leonardo dos Santos, que morreu dias após o crime. A polícia acredita que a execução de Leonardo seja queima de arquivo e o assassinato foi extremamente brutal.