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Polícia

Delegado revela que investigou até policiais em assassinato de Paulo Magalhães

Segundo a testemunha de acusação, várias hipóteses foram trabalhadas, mas provas apontam para participação de três acusados

29 agosto 2018 - 10h12Por Diana Christie e Dany Nascimento

Uma das testemunhas de acusação ouvidas durante o julgamento do vigilante Antônio Benites Cristaldo, o ex-delegado do Garras e hoje coordenador de operações de departamento do interior, Alberto Vieira Rossi contou ao júri que chegou a investigar policiais civis sobre o assassinato do delegado Paulo Magalhães, mas todas as provas apontavam para a autoria de Antônio e mais dois ajudantes.

Alberto contou que trabalha há 28 anos na polícia e foi uma das autoridades chamadas para atender o crime, em 25 de junho de 2013. Ele disse que foi ao local com as primeiras informações de que uma pessoa foi assassinada por dois homens em uma motocicleta vermelha e, apenas no caminho, soube que a vítima era Paulo Magalhas.

Durante as investigações, segundo a testemunha, denúncias anônimas apontavam uma homem chamado Cláudio como autor do assassinato, mas o serviço de inteligência não encontrou nenhuma prova que ele seria autor, apesar de ter sido acusado de ser o pistoleiro que matou o policial aposentado Eduardo Carvalho, mais conhecido como Carvalhinho.

Na sequência, Alberto revelou que chegou a investigar dois policiais do serviço de inteligência, até chegar a Antônio Benites Cristaldo, José Moreira Freire e Rafael Leonardo dos Santos. Segundo ele, Antônia ia ser o piloto de fuga, mas foi substituído por Rafael e deu suporte em um Pálio preto à distância.

O carro citado, de acordo com a testemunha de acusação, aparece em filmagens tanto após o crime quanto semanas antes cuidando o local e a rotina da vítima.

Testemunha de defesa

Geraldino Cardoso, que trabalhava com pai do Antônio Benites, também foi ouvido como testemunha de defesa. Para o júri, ele relatou que, no dia do crime, chegou 16h30 na casa de um amigo chamado Silvio e o Antônio estava no local jogando caixeta. Segundo ele, Antônio estava com um problema na perna, uma lesão que dificultava sua locomoção, mas não soube dizer se ele usava muleta ou outro suporte.

Geraldino conta que eles ficaram jogando até 18h30 e viram na televisão que aconteceu uma morte, mas não sabia quem era. Também declarou que nunca ouviu dizer que Antônio estava envolvido em coisas erradas ou crimes de qualquer espécie. Por fim, relevou que foi embora às 18h30 e que Antônio continuou na casa de Sílvio.

O caso

O delegado aposentado da Polícia Civil, Paulo Magalhães, foi assassinado a tiros no dia 25 de junho de 2013, perto da escola da filha, no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande. No local do crime, peritos encontraram quatro cápsulas de pistola nove milímetros, de uso permitido da polícia.

No total, três homens são suspeitos de cometer o crime: José Moreira Freire, o vigilante Antônio Benites Cristaldo e Rafael Leonardo dos Santos, que morreu dias após o crime. A polícia acredita que a execução de Leonardo seja queima de arquivo e o assassinato foi extremamente brutal.

“Ele teve os membros cortados por uma serra elétrica, ou facão ou uma foice, algo do tipo. Por ele ser mais novato envolvido, foi morto para não contar nada sobre o crime”, diz Alberto. Rafael tinha passagem por receptação.