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Polícia

Advogado de pistoleiro diz que delegado assassinado investigava 'gente poderosa'

Renê Siufi voltou a defender a tese que José Moreira é inocente

15 agosto 2018 - 15h03Por Diana Christie e Kerolyn Araújo

Em defesa do guarda municipal José Moreira Freira, um dos acusados de matar o policial aposentado Paulo Magalhães, o advogado Renê Siufi voltou a discursar que o réu foi colocado como autor do crime para que os verdadeiros culpados não sejam incriminados.

Durante as considerações para o júri, ele disse que, na época do assassinato, muita gente poderosa estava na mira das investigações de Magalhães, entre eles um secretário de justiça, delegados e policiais. Entre as denúncias, segundo ele, estava até uma contra o juiz aposentado Odilon de Oliveira.

Renê defendeu ainda que os pistoleiros que executaram o delegado eram, na verdade, policiais civis e que o inquérito foi mal apurado por parte da polícia, deixando muita coisa sem investigar como deveria.

O advogado afirmou que, na data do fato, o réu estava na casa do filho do dono hospital El Kadri, onde ele trabalhava como vigia. Ainda, que ele saiu da casa do patrão por volta das 17h20 e às 17h40 – ou seja, 20 minutos depois - estava no hospital, sendo que foi embora uma hora depois. Para ele, José não teria tempo para cometer o crime.

Quando ao pagamento de honorários, Siufi disse que foi procurado pela família do réu e informado que eles não tinham mais condições de pagar, então procurariam outro advogado. Renê alega que então combinou com a família que eles só pagariam caso tivesse condições o valor acordado de R$ 1,5 mil por mês.

O que diz o réu

Mais cedo, José se emocionou durante depoimento e disse que foi coagido para confessar um crime que não cometeu. “Eu não acreditei na polícia, se não tivesse ficado em silêncio não estaria aqui. Policiais diziam que se não confessasse esse crime, eu seria considerado culpado de outros vários homicídios sem solução”.

O caso

O delegado aposentado da Polícia Civil, Paulo Magalhães, foi assassinado a tiros no dia 25 de junho de 2013, perto da escola da filha, no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande. No local do crime, peritos encontraram quatro cápsulas de pistola nove milímetros, de uso permitido da polícia.

No total, três homens são suspeitos de cometer o crime: José Moreira Freire, o vigilante Antônio Benites Cristaldo e Rafael Leonardo dos Santos, que morreu dias após o crime. A polícia acredita que a execução de Leonardo seja queima de arquivo e o assassinato foi extremamente brutal.

“Ele teve os membros cortados por uma serra elétrica, ou facão ou uma foice, algo do tipo. Por ele ser mais novato envolvido, foi morto para não contar nada sobre o crime”, diz Alberto. Rafael tinha passagem por receptação.