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Polícia

há 32 minutos

Filial fantasma: Santa Casa Saúde pagou R$ 5,5 milhões para abertura de filial que nunca existiu

Apesar dos pagamentos das dez parcelas de R$ 557 mil a unidade nunca teve um contrato apresentado ao Conselho Fiscal

A Santa Casa Saúde pagou R$ 5,57 milhões a uma empresa ligada ao sócio profissional da ex-presidente da instituição, Alir Terra Lima, por serviços relacionados à implantação de uma filial em Dourados. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o contrato que justificaria os repasses não foi apresentado ao Conselho Fiscal.

Os valores foram destinados à Duarte Soluções Creditícias, empresa vinculada ao advogado Paulo da Cruz Duarte. Ao todo, foram contabilizados dez pagamentos mensais de R$ 557 mil entre março e dezembro de 2025.

Nos registros contábeis, os repasses aparecem sob a descrição de “execução técnica para abertura da filial da Santa Casa Saúde em Dourados”.

“Também foram omitidos os estudos de viabilidade, propostas comerciais, cronogramas, ordens de serviço, relação dos profissionais, documentos de entrega, relatórios mensais e memória de formação do preço”, detalha o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Também não teriam sido apresentadas a relação dos profissionais envolvidos, a memória de formação do preço, relatórios mensais ou comprovantes dos resultados entregues.

Para os investigadores, a expressão utilizada nos registros contábeis não esclarece quais produtos, serviços ou estruturas justificariam uma remuneração mensal de R$ 557 mil.

Outro ponto destacado é que os pagamentos começaram em março de 2025, enquanto a formalização societária da filial teria ocorrido apenas no final daquele ano.

O Ministério Público sustenta que a ausência da documentação impossibilitou a identificação das atividades executadas, dos custos suportados pela contratada e do destino final do dinheiro.

“A contratação foi utilizada para retirar R$ 5.570.000,00 do caixa da operadora sem que fossem apresentados o instrumento contratual, a formação do preço ou a comprovação da execução dos serviços. A medida cautelar é indispensável para identificar o destino desses recursos, os repasses realizados e os beneficiários finais dos pagamentos”, finaliza.

Operação

Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

O contrato investigado previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano para a digitalização dos prontuários da Santa Casa. Com duração de três anos, o acordo poderia chegar a R$ 5,4 milhões.

Conforme o MPMS, no primeiro ano de execução foram identificados pagamentos elevados sem que os serviços contratados fossem efetivamente prestados. O prejuízo estimado nessa frente da investigação chega a R$ 1,4 milhão.

As apurações também avançaram sobre contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com outras empresas do mesmo grupo econômico.

Segundo o Ministério Público, essas empresas tinham como proprietário uma pessoa ligada à diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço, que, na prática, estaria desocupado.

Somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos pela operadora a essas empresas, segundo a investigação. O MPMS aponta que os contratos teriam provocado um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões.

Os dois casos já identificados somam mais de R$ 4,9 milhões em prejuízos à Santa Casa. O valor, porém, ainda pode aumentar, já que a investigação continua.

O MPMS também afirma que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos de órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

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