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sábado, 26 de setembro de 2020
Polícia

Pâmela 'maquiou' vestígios para não ser incriminada da morte de idosa

Ao saber da notícia da morte, Pâmela simulou choro e indignação perguntando: 'o que fizeram com minha vozinha?'

26 fevereiro 2019 - 17h25Por Nathalia Pelzl

Pâmela Ortiz Carvalho, 36 anos, voz doce e jeito meiga, assassinou Dirce Santoro, de 79 anos, com requintes de crueldade, batendo a cabeça da idosa diversas vezes contra o meio-fio. Para se isentar da culpa, após cometer o crime ela se livrou de provas que poderiam incriminá-la, como celular, lavou o carro e foi à delegacia de forma espontânea prestar depoimento sobre o desaparecimento da vítima.

Uma das responsáveis pelas investigações, a delegada titular da 7ª delegacia de polícia civil, Christiane Grossi contou que a idosa morava em uma quitinete e que vizinhos registraram boletim de ocorrência do desaparecimento na tarde de ontem (25).

(Foto: Wesley Ortiz)

“Vizinhos vieram até a delegacia, pois a idosa estava desaparecida desde o último sábado (23), câmeras de segurança registraram a Dirce entrando no carro de Pâmela pela manhã. Ao ser acionada, a Pâmela negou inicialmente que tinha visto à idosa, no entanto, depois confessou”, disse.

Fria e dissimulada, Pâmela chamava a vítima como vó, vovozinha e vovó. Ao ser confrontada, ela disse que havia deixado Dirce em um mercado atacadista na Júlio de Castilho.

“Quando ela foi comunicada de que haviam encontrado o corpo da idosa, ela simulou um choro, e perguntou ‘o que fizeram com minha vozinha”, ressaltou o delegado Carlos Delano, da delegacia de homicídios que auxiliou nas investigações.

Com jogos mentais, Pâmela confessou o crime após 10 horas na delegacia, ela foi indiciada pelo crime de homicídio e ocultação de cadáver, teve a prisão em flagrante convertida para preventiva e permanece presa.

“Agora temos 10 dias para concluir o inquérito e ouvir testemunhas”, ressaltou a delegada.

Motivação do crime

Com uma ficha criminal extensa, a suspeita carregava dez processos nas costas. Com perfil de sociopata, ela conheceu a vítima em meados do ano de 2018, ao se apresentar como motorista de aplicativo e oferecer uma carona em um posto de saúde.

“Não se pode confiar na forma como elas se conheceram, ela alega que foi em um posto de saúde, vizinhos apontam em um ponto de táxi, o que podemos afirmar é que ela não é motorista de aplicativo por ter a CNH inativa”, disse o Delano.

Se beneficiando dos cartões de crédito de Dirce, Pâmela não esperava que a idosa não fosse tão ingênua.

“Vizinhos relataram que a idosa havia descoberto os gastos e colocaria Pâmela contra a parede no dia do crime”, disse o delegado.

Além disto, Pâmela demonstrou insensibilidade ao analisar o perfil da senhora. “Percebendo que a idosa era sozinha, aposentada e pensionista, era exatamente o perfil que ela aplicava golpes”.

Versões contraditórias

Durante todo o período em que esteve na delegacia,  a acusada demonstrou versões que fugiam da realidade.

“Primeiro ela disse que a idosa havia se jogado do carro, e tropeçado no meio-fio.  Mas a versão dela não bateu com os  laudos emitidos pela perícia”, ressaltou.

Versão amável nas redes sociais

Na rede social, Pâmela Ortiz Carvalho, apresentava ser uma cidadã que se indignava com as injustiças do mundo. Em um vídeo publicado em agosto do ano passado, chegou a pedir respeito a várias pessoas, inclusive aos idosos.

No vídeo, Pâmela conta ser mãe de quatro filhos, um deles com paralisia cerebral. Ela relata que ficou com o carro na oficina durante algum tempo e, neste período, precisou se locomover usando veículos de aplicativos. Em uma de suas viagens, ela e um dos filhos teriam sido maltratados por uma motorista, fator que teria revoltado a suposta assassina, que pediu respeito à ‘crianças, gestantes e idosos’.

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