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sábado, 18 de setembro de 2021 Campo Grande/MS
Polícia

Serial killer que matou estudante de MS diz ser heterossexual e sociopata

“Eu entrava, a gente tinha uma breve conversa e aí eu pedia para [ele] virar de costas. Nisso, eu aplicava um mata-leão", detalha o criminoso

02 junho 2021 - 17h00Por Diana Christie

Acusado de matar três homens gays em Santa Cataria e no Paraná, entre eles o campo-grandense Marco Vinício Bozzana da Fonseca, o assassino em série (serial killer) José Tiago Soroka, 32 anos, se considera heterossexual e sociopata.

Ele deu uma entrevista exclusiva para a RIC Record TV, onde contou ter tido apenas relacionamentos com mulheres. José é pai de duas crianças, de 4 e 9 anos e terminou o último namoro quando a mulher descobriu alguns de seus crimes.

“No começo foi bem tranquilo. Eu já tinha envolvimento com alguns delitos, ela descobriu e o relacionamento começou a dar uma boa decaída. Chegou a um certo ponto que nós brigamos e chegamos às vias de fato”, contou.

José Tiago afirma que entrou no crime após ter sido preso por dirigir embriagado e não conseguir mais emprego. “Eu trabalhava de vigilante. Um dia, fui a um churrasco com uns colegas e levei um colega até a residência dele em Almirante Tamandaré. No meio do caminho, eu já tinha bebido, fui parado pela polícia e preso por dirigir embriagado. Isso implicou para ‘mim em renovar’ a carteira”.

Soroka também foi preso outras vezes, sendo uma delas por usar moeda falsa e outras duas por roubar carros.

Crimes de ódio?

Na conversa com o repórter William Bittar, o serial killer disse que não planejou os assassinatos nem que se preocupava com a orientação sexual das vítimas. Ele alegou não ter preconceito ou curiosidade em se relacionar com homens, mas não quis entrar em detalhes a respeito do assunto.

“Não tenho aversão, não tenho ódio. Para mim, cada um tem a sua opção sexual [sic], e deve ser respeitada”, explicou.

José Tiago ainda disse se identificar com o perfil de sociopata por não sentir culpa após as mortes e alegou que o foco dos encontros era o roubo de objetos da casa das vítimas. Ele usava aplicativos para marcar os encontros, trocava ‘nudes’ com imagens encontradas na internet e agendava de ir até a cada das vítimas.

“Eu entrava, a gente tinha uma breve conversa e aí eu pedia para [ele] virar de costas. Nisso, eu aplicava um mata-leão. A pessoa apagava, voltava e eu conversava. Falava ‘vou levar o que tem na tua casa, não reage que vai ficar tudo bem. Você sai bem e eu saio bem.’ Nessas situações que a pessoa veio a óbito eles reagiram, tentaram bater, tentaram empurrar, falaram que iam chamar a polícia. Nessa hora eu pensei que não ia conseguir me evadir da situação. Então eu acabei apertando um pouco mais e vieram a óbito. Eu não ficava muito tempo. Só resgatava o que tinha interesse e saía”, revelou Soroka.

Foto: Reprodução/RIC Record TV

Para o jornalista, ele alega que percebeu que seria mais fácil achar outras vítimas depois da morte da primeira, em Abelardo Luz (SC), no dia 16 de abril. “Eu estava correndo em uma área de lazer que existe em Santa Catarina e um rapaz me abordou. Ele começou a conversar, colocou algumas intenções dele comigo, a gente conversou e eu expliquei que estava precisando de algum dinheiro. Ele marcou um encontro na residência dele, eu fui lá, coloquei meu ponto de vista referente ao que eu estava precisando, ele foi para o quarto e voltou nu. Eu até imaginava que pudesse acontecer isso, mas não daquele jeito. Ele falou que queria ter relação sexual e eu falei que não era aquilo que eu queria. Nisso, a gente entrou em luta corporal. Eu acabei dando uma gravata nele. Eu estava precisando do dinheiro realmente e expliquei para ele a situação. Ele disse que não ia me emprestar [a quantia] e eu falei que ia levar alguns bens da casa dele. Ele disse que não ia deixar, começou a me xingar e tentar bater mais ainda, então eu acabei apertando um pouquinho mais, onde [sic] ele veio a apagar e não retornou”, dissertou.

Quando começou a aparecer nos noticiários, José parou com os crimes e só saía da casa onde estava no período da noite, usando máscara e boné. Ele também negou que tenha relação com a morte de um médico, em 2016, e de seu ex-patrão da época em que trabalhava como chaveiro.

Os crimes

José Tiago Correia Soroka foi preso no último sábado (29) em uma pensão, no bairro Capão Raso, em Curitiba.

Ele é acusado pela Polícia Civil do Paraná pela morte de David Júnior Alves Levisio, no dia 27 de abril, e Marco Vinício Bozzana da Fonseca, no dia 4 de maio, em Curitiba. Ele também é suspeito do latrocínio de Robson Olivino Paim, no dia 16 de abril, em Abelardo da Luz (SC).

Soroka está detido na Delegacia da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba e deve ser transferido para o sistema penitenciário nesta quarta-feira (2).