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Preso duas vezes, André Scaff segue 'intocável' na Câmara Municipal

Imunidade de procurador é garantida até transitado e julgado, segundo a Casa

22 SET 2016
Diana Christie
07h00min
Foto: Geovanni Gomes

Preso por porte ilegal de munições, denunciado nas Operações Coffee Break e Midas, além de citado na Lama Asfáltica, o procurador André Luiz Scaff segue com imunidade total na Câmara Municipal de Campo Grande.  Acumulando funções na Casa de Leis, ele é apontado pelo MPE (Ministério Público Estadual) como elo entre o empreiteiro João Alberto Krampe Amorim e os vereadores. Mesmo assim, é intocável na Câmara.

“É de se salientar, por causa de sua importância, que João Alberto Krampe Amorim dos Santos também contava com o pertinente suporte, dentro da Câmara de Vereadores, do denunciado André Luiz Scaff, que então exercia o cargo de Diretor-Geral do Legislativo, Procurador Jurídico e Chefe de Gabinete da Presidência da Casa de Lei campo-grandense, o qual, em razão do vínculo que os unia, tratava o como chefe em diversas interlocuções que mantiveram”, destaca relatório da Operação Coffee Break.

No âmbito desta investigação, Scaff foi denunciado pelo crime de associação criminosa em suposto esquema para cassar o prefeito Alcides Bernal (PP). Quando o pepista foi retirado do poder, o procurador atendeu ligação de João Amorim, o chamando de “chefe”. “Na ocasião, o empresário solicita que André Luiz Scaff passe a ligação para o vereador Mario Cesar Oliveira da Fonseca, quando agendam uma segunda conversa para aquele dia na residência de João Alberto Krampe Amorim Dos Santos”, aponta.

Em 17 de março de 2014, já empossado no cargo de Secretário Municipal de Planejamento, Finanças e Controle, durante a gestão de Gilmar Olarte, Scaff volta a conversar com João Amorim, menciona que algumas pessoas estariam “travando” uma situação, mas que estaria sob controle e, no dia seguinte, agendam uma reunião. No diálogo, ele garante que o empresário seria o “cara”, sem qualquer empecilho, pois não teria outro “organizado” como ele.

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O possível favorecimento do empreiteiro pivô da Lama Asfáltica entrou na mira do MPF (Ministério Público Federal), que também analisou a rede familiar de Scaff. Em relatório sobre o esquema de superfaturamento de obras realizadas com dinheiro do Governo Federal, o órgão revela que a organização encabeçada por Amorim e pelo ex-secretário de Obras, Edson Giroto, teria influência, inclusive, nas empresas do cunhado do procurador jurídico.

“Sugerindo que o alcance da sua atuação ultrapassava os limites do governo estadual. Dentre os interlocutores foi possível identificar Acir Magalhães, sócio da empresa JW Serviços E Construções LTDA, que possui contratos milionários com a prefeitura de Campo Grande celebrados com recursos federais destinados ao PAC 2. Importante destacar ainda que Acir é cunhado de André Scaff, secretário do município de Campo Grande”, diz o texto.

Citado no relatório das duas primeiras operações, Scaff ainda acabou preso em 19 de maio, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência, localizada na Rua Patagônia, bairro Jardim Bela Vista, em Campo Grande. Foram encontradas 16 munições de arma de fogo, marca Águila, calibre .38 Especial, em um armário da sala e no quarto dele.

As diligências foram acompanhadas pela esposa de Scaff, Karina Ribeiro Mauro. Como ele não era autorizado a portar armas de fogo ou munições, foi preso em flagrante delito e encaminhado à Delegacia de Polícia. Posteriormente, o procurador pagou fiança de R$ 2.640,00 e foi colocado em liberdade provisória.

No entanto, em nova reviravolta, Scaff voltou para detrás das grades, desta vez na companhia da esposa Karina, após ser deflagrada a segunda fase da Operação Midas, que também intimou dois vereadores e vários empresários para prestar depoimento. Mesmo assim, o procurador é mantido normalmente na Câmara Municipal. Segundo a assessoria da Casa de Leis, questões de fórum pessoal não são investigadas internamente até que exista processo transitado e julgado. Porém, a mesma posição não foi usada com Bernal, por exemplo.

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