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quinta, 22 de abril de 2021
Política

Anvisa estuda nove mortes por kit covid, mas deputado alega superdosagem proposital

Deputado defende que a ideia de médicos é deixar remédios com má fama; medicamentos não tem comprovação científica contra covid

07 abril 2021 - 11h00Por Nathalia Pelzl

Defensor do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Luiz Ovando (PSL) usou as redes sociais para alegar que paciente que tomaram o kit covid-19 só morreram porque sofreram superdosagem proposital. Ontem, o país bateu recordes de morte desde o início da pandemia e faltam leitos em vários estados, inclusive, em Mato Grosso do Sul.

“Para causar má fama dos medicamentos baratos contra a covid-19, um grupo de médicos fez estudo no Amazonas, onde morreram 11 pacientes. Usaram superdosagem para jogar a culpa nos remédios usados há 5 décadas. Cuidado! Eles podem até matar para provar que o presidente tá errado”, pontuou. 

No entanto, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está analisando nove mortes pelo uso do chamado ‘kit covid’, medicamentos sem eficácia comprovada com o novo coronavírus. 

Os dados foram publicados no Painel de Notificações de Farmacovigilância e replicados pelo O Globo e IstoÉ.

As notificações por efeitos adversos da cloroquina aumentaram em 558%, passando de 139 em 2019 para 916 em 2020, muito superior ao uso de outros remédios. A maioria dos casos notificados (96%) é do Amazonas, onde muitas pessoas sofreram com a doença sem acesso a hospitais.

Os principais efeitos notificados, conforme o painel, são distúrbios dos sistemas nervoso, gastrointestinal, psiquiátrico e cardíaco.

A hidroxicloroquina, outro medicamento do “kit covid”, não teve nenhuma notificação em 2019, mas registrou 168 notificações por efeitos adversos em 2020, sendo os mais comuns: taquicardia, náusea e tontura. São Paulo foi o estado que mais teve registros (44%).

A Anvisa alega que as notificações são apenas “suspeitas” e que podem estar associadas ao uso de outras substâncias.