Ignorando as reivindicações das assistentes educacionais infantis, a prefeita Adriane Lopes (PP) publicou um edital para processo seletivo simplificado com 2 mil vagas temporárias para os cargos na Reme (Rede Municipal de Ensino). O salário previsto é de R$ 1.900, para jornada de 40 horas semanais. A medida, oficializada em edição extra do Diogrande desta terça-feira (10), blinda o município de eventuais mobilizações da categoria.
De acordo com o edital, as contratações terão duração de até 12 meses e exigem ensino médio completo. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pela internet entre 11 e 20 de março, no site da prefeitura.
Segundo o documento, o objetivo da seleção é recompor vagas que devem surgir em 10 de abril de 2026, quando terminam contratos temporários firmados em um processo seletivo anterior. A prefeitura também afirma que a medida segue recomendações do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) e busca garantir a continuidade dos serviços nas creches e unidades da rede municipal.
A publicação do edital ocorre em meio a discussões sobre possíveis mobilizações de trabalhadores da educação infantil. O setor está reivindicando o reajuste salarial de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, vale-alimentação, respeito ao limite de crianças por sala, direito a atestado de acompanhante, acesso a plano de saúde e correção da nomenclatura do cargo.
O pulo do gato é que, com uma lista de novos nomes para entrar no cargo, aceitando o salário proposto, a chance de uma greve acaba caindo por terra. Isso porque, caso ocorra, a gestão poderá fazer a troca de profissionais, uma vez que os contratos antigos poderão ser rescindidos por conveniência da administração municipal ou caso seja constatado desempenho insatisfatório do profissional.
Histórico de perseguição
No começo de 2026, uma profissional foi exonerada de suas funções por se manifestar na Câmara Municipal de Campo Grande pedindo melhorias para a categoria. Ela chegou a dizer que a demissão não foi avisada.
A reportagem tentou contato com o Sindicato dos Servidores Contratados da Administração Pública da Rede Municipal de Campo Grande, para falar sobre o assunto, mas, até a publicação desta matéria, não teve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras.








