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Política

há 59 minutos

Preso suspeito de corrupção, servidor que controlava vagas do SUS tinha salário mensal de R$ 38 mil

Ed Carlo Britto Burgatt atuava como coordenador de Regulação Assistencial de Leitos da SES, com remuneração compatível com a responsabilidade

Mesmo recebendo um salário de R$ 38 mil como coordenador de Regulação Assistencial de Leitos da SES (Secretaria de Estado de Saúde), função estratégica responsável pela gestão das vagas hospitalares da rede pública estadual, o servidor Ed Carlo Britto Burgatt, de 51 anos, teria se envolvido em um esquema milionário de fraude.

Ele foi um dos 16 alvos da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que teria desviado cerca de R$ 27 milhões da Saúde e da compra de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul.

Além do alto salário, Ed Carlo declarou ser morador do bairro Panamá, em Campo Grande, além de ter problemas de saúde, como hipertensão.

A reportagem apurou, no Portal da Transparência do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, que a remuneração fixa do servidor é de R$ 32.428,98. Em alguns meses, como abril, ele recebeu R$ 29.369,95 de ‘remuneração eventual’, que fez com que seu salário naquele mês fosse de R$ 44.149,24 depois das deduções.

Porém, devido a essa bonificação variada, de Ed Carlo varia de acordo com o mês de competência.

Preso em flagrante durante o cumprimento de mandado realizado na manhã desta terça-feira (7), Ed Carlo teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia realizada na quarta-feira (8).

De acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ele integra o grupo investigado por participação em uma organização criminosa suspeita de praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude em contratações públicas.

As investigações apontam que empresários cooptavam agentes públicos para direcionar compras, principalmente na área da Saúde e na aquisição de livros paradidáticos, enquanto os recursos obtidos de forma ilícita eram pulverizados para dificultar o rastreamento.

Por conta do envolvimento com o grupo criminoso, Ed Carlo é um dos servidores que serão afastados ou exonerados pelo Governo de Mato Grosso do Sul. Além disso, será feita uma auditoria na Secretaria Estadual de Saúde.

Em nota, a administração estadual afirmou que mantém políticas de compliance e transparência e que a Controladoria-Geral do Estado acompanhará as investigações em conjunto com a Secretaria de Saúde.

A auditoria deverá analisar os procedimentos administrativos relacionados às áreas atingidas pela operação.

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