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Política

há 1 hora

Quadrilha presa por fraude tinha núcleos familiares, extorsão e muitos tentáculos

Gaeco buscou prender 16 pessoas e cumpriu 43 mandados de busca e apreensão

  • Famílias presas pelo Gaeco por fraude
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A atuação da quadrilha presa por suspeita de fraudes em licitações era bem organizada, com funções definidas e tentáculos em diversas áreas da administração pública de MS. Relatório do Gaeco e as próprias prisões mostraram que os integrantes usavam de suas prerrogativas e promoviam até extorsões. 

Um dos casos que mais chamam atenção é o da regulação de pacientes na Saúde estadual e dos municípios, que se comprova com a prisão de Ed Carlo Burgatt, coordenador da regulação hospitalar de MS. Há suspeitas de que, se prefeituras não aderissem a compras públicas sem licitação de empresas de investigados, não conseguiriam vagas na regulação de doentes. 

Famílias presas pelo Gaeco por fraude

Especialista em licitações foi preso pelo Gaeco (Foto: Instagram)

A tese do Gaeco se reforça com a prisão do consultor jurídico Gabriel Taquino de Paula, advogado especialista em licitações. Ele era membro de um conselho que integra 14 municípios do Estado e tinha a prerrogativa de dar parecer favorável ou não aos processos de compras públicas. 

O fato denota que agentes públicos foram cooptados para acelerar os processos para os integrantes do bando. Ainda segundo o Gaeco, o dinheiro fruto dos crimes era pulverizado, a fim de mascarar a origem ilícita. Com diversos investigados, a investigação encontrou grande quantidade de dinheiro em espécie, além de armamento. 

Famílias

Chamou a atenção também o fato de haver diversos núcleos familiares na mesma quadrilha. Na Operação Gutenberg, os investigados são a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e os filhos dela, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar e o empresário Felipe Paroschi Jafar. Os três fazem parte da família proprietária da Editora Alvorada, antiga Gráfica Alvorada, que já havia sido investigada por contratos milionários para fornecimento de livros ao poder público, no âmbito da Operação Lama Asfáltica.

Em outro ponto da investida policial, surgem Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, rescpetivamente pai e filho. A participação exata deles no esquema ainda é mantida em sigilo. Os familiares aparecem como donos de duas boates e uma loja de veículos de luxo na cidade. 

Ainda na seara familiar, o coordenador da regulação da Saúde de MS, Ed Carlo Burgatt viu a filha  Jéssyca Burgatt ir para a cadeia. Eles controlavam um dos principais núcleos da organização. 

Esquema 

Operação do Gaeco, na manhã desta terça-feira (7), buscou prender 16 pessoas de uma quadrilha que fraudava licitações e pode ter desviado R$ 27 milhões da Saúde e na compra de livros em Campo Grande. 

O nome da investida policial é ''Gutenberg'' e também cumpre 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo e Abadiânia (GO). 

Ainda segundo divulgado pelo MPE-MS, o bando é suspeito de corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro e delitos associados. A quadrilha é instalada na Capital e tinha atuação espalhada. 

Outro destaque é a organização em núcleos bem definidos, liderada por empresários que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso. Eles cooptavam servidores públicos para direcionar compras públicas diretas, sem licitação de livros paradidáticos. Os valores desviados eram pulverizados a fim de ocultar a origem ilícita. 

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