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Saúde

há 2 meses

Com fama de caloteira, prefeitura não consegue comprar medicamentos essenciais para Campo Grande

Remédios de tratamento de alergias e para circulação fazem falta no orçamento dos pacientes

Após vários calotes em fornecedores de medicamentos e insumos, a prefeitura de Campo Grande está tendo dificuldades para conseguir itens básicos destinados ao cumprimento de decisões judiciais da área da saúde.

No Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande), publicado nesta segunda-feira (11), quatro processos de dispensa eletrônica mostram que as Dispensas de Licitação nº 044, 047, 048 e 049/2026 resultaram em processos “desertos”, que ocorrem quando nenhuma empresa participa, ou “fracassados”, quando as propostas apresentadas não atendem aos requisitos do edital.

Entre os itens que a prefeitura não conseguiu comprar estão medicamentos considerados essenciais para pacientes que possuem decisões judiciais obrigando o município ao fornecimento.

Um dos casos envolve a aquisição de Diosmina + Hesperidina, medicamento utilizado no tratamento de insuficiência venosa, varizes, dores nas pernas e hemorroidas. O remédio é relativamente comum nas farmácias, mas possui custo elevado para muitos pacientes, variando entre R$ 80 e R$ 100 por caixa, dependendo da dosagem e da marca.

Também não houve interessados na venda de Budesonida 50 mcg, medicamento utilizado principalmente no tratamento de rinite alérgica, asma e outras doenças respiratórias inflamatórias. A falta do medicamento pode agravar crises respiratórias, especialmente em crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas.

Outro processo sem sucesso envolve fórmulas alimentares semi-elementares, geralmente destinadas a pacientes com dificuldades graves de absorção intestinal, alergias alimentares severas ou doenças gastrointestinais. Esses produtos costumam ter alto custo e são fundamentais para garantir suporte nutricional adequado a pessoas em tratamento contínuo.

As compras eram destinadas ao cumprimento de determinações judiciais, o que evidencia risco de descumprimento de decisões da Justiça e potencial prejuízo direto a pacientes que dependem dos produtos fornecidos pelo SUS municipal.

Problemas não são novos

Enquanto isso, a prefeitura tenta renegociar dívidas acumuladas com fornecedores e prestadores de serviço. Em audiência pública realizada ainda em fevereiro deste ano, o secretário da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Marcelo Vilela, argumentou que o município aplicou 30,62% de sua arrecadação na saúde em 2025. Vilela atribuiu as dificuldades do sistema ao repasse de verbas federais, referindo-se à situação como "subfinanciamento".

No fim da audiência, o empresário Alex, proprietário da Java Med Hospitalar, pediu a palavra para cobrar pagamentos atrasados da prefeitura. Ele relatou que a empresa fornece materiais para o município há mais de quatro anos e corre o risco de encerrar as atividades e demitir 14 funcionários devido à inadimplência da gestão municipal.

O empresário detalhou os valores e o tempo de atraso: "Estão devendo para a nossa empresa R$ 531 mil. Eu entrego fralda geriátrica e soro fisiológico. Tem nota aqui desde 8 de janeiro de 2025, doutor [...] 400 dias. Como que eu posso ser parceiro, doutor?".

A reportagem procurou a prefeitura para falar sobre o assunto, mas, até a publicação desta matéria, não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

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