Ana Betriz Marques Rebula há meses enfrenta os problemas que o abandono público pode causar na vida de quem depende dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde.
Mãe de uma criança atípica de 6 anos, Ana Beatriz aguarda há três meses por atendimentos básicos para o seu filho.
"Sou mãe de uma criança de apenas 6 anos diagnosticada com autismo suporte 2, TDAH combinado, deficiência intelectual, puberdade precoce, fraqueza muscular e outras demandas importantes de saúde. Meu filho necessita de acompanhamento contínuo e multidisciplinar, porém atualmente encontra-se desassistido pelo sistema público.
De acordo com a mãe da criança, o menino realiza acompanhamento contínuo desde os 9 meses de idade, mas todos os tratamentos foram interrompidos de uma hora para outra por falta de vaga para atendimento. A mulher afirma que já fez tudo o que seria possível para conseguir atendimento para o filho, mas que não teve retorno.
A mãe da criança explica que entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande para explicar a gravidade da situação e a urgência em atendimento para o seu filho, mas que, mesmo assim, nada foi feito.
"Até mesmo conseguir uma simples consulta na unidade básica de saúde tornou-se um sofrimento. As marcações acontecem apenas uma vez por mês, com filas enormes e vagas insuficientes. Exames básicos de sangue frequentemente deixam de ser realizados por falta de materiais simples, como tubetes. Ultrassons e atendimentos especializados também enfrentam demora absurda".
A mulher afirma que o atraso nos atendimentos prejudica o desenvolvimento do seu filho, que precisa dos atendimentos para ter qualidade de vida.
"A sensação é de abandono total. Nem mesmo recorrendo ao Ministério Público ou à Defensoria Pública as famílias conseguem respostas rápidas ou tratamento digno. Enquanto isso, crianças autistas, crianças com deficiência e famílias inteiras seguem sofrendo física e emocionalmente".
A mulher espera que a gestão pública de Campo Grande faça algo para ajudar sua filha a ter o básico, uma vez que já não sabe mais o que fazer. "Peço encarecidamente que os órgãos responsáveis, autoridades e a imprensa deem atenção a essa realidade. Não estamos falando de luxo, mas de direitos básicos garantidos por lei às nossas crianças".
A redação entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Campo Grande para falar sobre o caso e aguarda resposta.








