Depois de esperar quase um ano por uma cirurgia na traqueia, realizada apenas após decisão judicial, Geovane Mateus Costa Lima, de 27 anos, voltou a enfrentar dificuldades para dar continuidade ao tratamento. Agora, a família aguarda o agendamento de consultas de retorno e de uma broncoscopia pelo SUS, exames considerados essenciais para a recuperação do paciente.
A esposa de Geovane, Rarielen dos Santos Pereira, afirma que procurou a Santa Casa de Campo Grande logo após a cirurgia, realizada na última segunda-feira (20), mas, até esta quarta-feira (22), ainda não havia recebido retorno.
"Agora que a recuperação do meu esposo realmente começou, a gente precisa do apoio da rede pública para continuar o tratamento. Mas, até agora, ninguém deu um retorno", disse.
Geovane sofreu queimaduras nas vias aéreas após um acidente doméstico com álcool e uma chapa. Desde então, passou meses sem conseguir falar enquanto aguardava atendimento especializado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
O caso foi acompanhado pelo TopMídiaNews. Após sucessivos adiamentos da cirurgia e da dificuldade para conseguir exames, a família recorreu à Justiça. A liminar determinou que o procedimento fosse realizado em um hospital particular, com o pagamento efetuado diretamente pelo Poder Judiciário.
Apesar da cirurgia ter sido realizada, o tratamento ainda depende de acompanhamento médico. Segundo Rarielen, o marido precisará permanecer por 21 dias em repouso absoluto, sem movimentar a cabeça, e deverá realizar uma broncoscopia nos próximos dias para avaliar o resultado do procedimento.
Ela explica que, durante a cirurgia, os médicos encontraram a região da traqueia bastante comprometida, o que tornou o exame ainda mais importante.
"Na hora da cirurgia houve um pequeno imprevisto porque estava tudo muito machucado. Agora ele precisa fazer essa broncoscopia para os médicos acompanharem a recuperação", afirmou.
A esposa relata que buscou ajuda da Santa Casa para que o acompanhamento fosse realizado pelo SUS, mas ainda aguarda uma resposta. “Agora a gente só precisa do retorno e dos exames para continuar esse tratamento."
Segundo ela, como a ação judicial contemplava apenas a cirurgia, qualquer novo pedido precisaria ser analisado novamente pela Justiça, o que pode representar mais meses de espera.
Enquanto tenta garantir a continuidade do tratamento, Rarielen também precisou reduzir o trabalho como manicure para acompanhar o marido durante a recuperação. A renda da família hoje é composta apenas pelo benefício recebido por Geovane.
"Graças a Deus não falta o básico, mas é um valor muito menor do que ele recebia trabalhando. E eu também não consigo trabalhar normalmente porque preciso estar com ele."
A reportagem procurou a Santa Casa de Campo Grande para questionar se o paciente já possui previsão para os retornos e para a realização da broncoscopia pelo SUS. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.









