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Conhece a Síndrome de Burnout? Enfermeiros, médicos, policiais e professores são os mais vulneráveis

Diagnóstico leva em consideração cansaço e sensação de fracasso; entenda a doença

13 JUN 2019
Maressa Mendonça
18h10min

“Comecei a ter perda de memória, uma tristeza, sentimento de angústia e só de pensar no trabalho me dava uma vontade de chorar”. A declaração é de uma enfermeira, de 29 anos, que pediu para não ter a identidade divulgada. Diagnosticada com síndrome de Burnout e afastada do trabalho há quatro meses, o diagnóstico dela não surpreende porque, assim como médicos, policiais, professores, ela faz parte do grupo de risco para a síndrome.  

Profissionais responsáveis pelo desenvolvimento, saúde ou segurança de outras pessoas são os mais vulneráveis a desenvolverem a Síndrome de Burnout. Resumida em duas palavras é o “esgotamento profissional”. Uma doença crônica responsável responsável por centenas de afastamentos dos postos de trabalho em todo o país.

Os últimos dados divulgados pelo  INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), referentes ao ano de 2017, apontam que muitos trabalhadores têm sido afastados em decorrência de transtornos mentais e comportamentais. Episódios de depressão, por exemplo, foram responsáveis por 43,3 mil auxílios-doença em 2017, sendo esta a 10ª doença com mais afastamentos.

À reportagem do TopMídiaNews, a psiquiatra Gislayne Budib disse que em se tratando de doenças mentais a Síndrome de Burnout é a 2ª maior causa dos afastamentos. O diagnóstico da doença é feito com base em três sintomas: exaustão, despersonalização e reduzida realização profissional.

Gislayne explica que a exaustão é o sentimento de cansaço físico e mental. A despersonalização está relacionada ao contato frio, impessoal, indiferente e distante com os colegas de serviço ou outras pessoas deste convívio profissional. Por fim, tem também o sentimento de reduzida realização profissional. Uma sensação de fracasso, falta de qualidade e produtividade no serviço.

VULNERÁVEIS

Além dos profissionais ligados às áreas de Saúde e Segurança, outros mais suscetíveis são os que lidam com pressão e responsabilidades constantes e diárias. É o caso de professores, jornalistas, agentes penitenciários e motoristas, por exemplo.

Neste contexto, a indiferença aos sentimentos e sofrimentos dos outros é um dos sintomas mais preocupantes, especialmente quando se trata de médicos, enfermeiros, professores e policiais.

OUTROS SINTOMAS

Além destes sintomas, há outros indícios físicos da doença como dores de cabeça frequentes, alterações no apetite, insônia, dores musculares e até pressão alta. “Ficar um dia triste, chateado é inerente ao ser humano, mas, se este sentimento for intenso e frequente, é preciso procurar ajuda profissional”, declarou a psiquiatra.

E foi justamente esta frequência nos sintomas que chamou a atenção da enfermeira e a fez procurar ajuda. “Sempre pensei que não fosse acontecer comigo. Mas vi que precisava parar porque não estava bem. É algo que só quem passa sabe o que é”, declarou.

O TRATAMENTO

O tratamento contra a Síndrome de Burnout é feito com medicamentos, psicoterapia, atividade física e mudanças em outros hábitos como alimentação, conforme explica a psicóloga do Hospital Regional, Isadora Juliana Pires de Mattos. “O tratamento terapêutico é essencial, crucial para estas pessoas”, diz.

De acordo com Isadora, algumas linhas de estudo da psicologia têm se mostrado bem efetivas nestes casos. Dentre elas, cognitiva-comportamental e a analítica funcional. Em linhas gerais, elas são usadas pelos psicólogos para auxiliar os pacientes a se conhecerem, reorganizar os pensamentos e mudar os padrões de comportamento.

A recomendação inicial é o afastamento deste ambiente responsável pelo adoecimento do paciente “para que consiga retornar com esse novo padrão estabelecido”, disse.

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