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Saúde

há 2 meses

Paciente afirma ter sido coagida e exposta após gravar problemas em CAPS de Campo Grande (vídeo)

Ela passou mais de 3h dentro da unidade esperando atendimento médico

Uma paciente do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) Afrodite, em Campo Grande, denunciou uma série de problemas no atendimento, na estrutura e na condução dos serviços da unidade após relatar um episódio que classificou como o mais grave desde que iniciou acompanhamento no local.

De acordo com o relato, a paciente é atendida há anos pelo Caps, após enfrentar situações de violência doméstica e problemas de saúde mental. Ela afirma que, em 2025, chegou a receber alta parcial e foi orientada a seguir o tratamento em uma unidade básica de saúde. No entanto, diante de agravamentos no quadro clínico e em situações familiares, diz que tentou diversas vezes retomar o acompanhamento no Caps, sem sucesso.

Na manhã desta segunda-feira (4), ela compareceu novamente à unidade para atendimento médico. Segundo a paciente, chegou por volta das 9h50, apesar de a consulta estar marcada para as 10h. No entanto, relata que o atendimento não segue horário agendado, mas sim ordem de chegada, o que resultou em longa espera.

“Fiquei lá por mais de três horas aguardando atendimento, junto a outros pacientes que também reclamavam da demora. Um deles aguardava desde as 8h30, tendo reação à medicação sem conseguir assistência imediata”, afirmou.

A mulher relata que a situação provocou indignação e revolta, principalmente por se tratar de uma unidade voltada ao acolhimento de pessoas em sofrimento psicológico. Segundo ela, o ambiente transmitia sensação de abandono, improviso e descaso com pacientes que já chegam emocionalmente fragilizados.

Durante o período de espera, a paciente notou uma série de problemas estruturais no espaço. Entre eles, a falta de privacidade nas salas de atendimento, onde, segundo ela, é possível ouvir claramente as conversas entre profissionais e pacientes devido à ausência de isolamento adequado.

“As divisórias não vão até o teto. Se alguém fala um pouco mais alto, dá para escutar todo o atendimento. Não existe privacidade nem para o profissional, nem para quem está sendo atendido”, reclamou.

Ela também apontou infiltrações em paredes próximas às salas de atendimento psicossocial, banheiros em condições precárias, falta de papel higiênico e ambientes improvisados para acolhimento dos pacientes.

Outro ponto que gerou revolta foi a forma como os atendimentos estariam sendo conduzidos dentro da unidade. Conforme o relato, pacientes aguardavam desde cedo enquanto alguns servidores permaneciam em horário de almoço ou conversando em áreas comuns.

A paciente afirmou ter registrado imagens de funcionários utilizando celular e conversando enquanto dezenas de pessoas aguardavam atendimento.

“Enquanto pacientes estavam ali passando mal, cansados e esperando há horas, tinha servidor sentado conversando, mexendo no celular e funcionários almoçando tranquilamente. Aquilo me revoltou profundamente”, disse.

Segundo ela, uma psicóloga que iniciaria os atendimentos ao meio-dia teria ido almoçar antes de começar os atendimentos, enquanto pacientes seguiam aguardando. A gerente da unidade também estaria no local durante o almoço dos servidores.

“Foi um sentimento de humilhação e abandono. A impressão é que o sofrimento do paciente não importa para ninguém”, desabafou.

A situação teria se agravado quando ela decidiu gravar imagens dentro da unidade, com o objetivo de registrar as condições do local. De acordo com a paciente, a gerente do Caps teria se aproximado de forma exaltada, alegando que a gravação não era permitida, e acionado a Guarda Municipal.

Ainda conforme o relato, ela foi pressionada a apagar os vídeos diante dos guardas municipais e teria sido informada de que somente seria atendida caso removesse as gravações do celular.

“Mandaram eu apagar tudo. Foi extremamente constrangedor. Eu me senti coagida, exposta e ameaçada emocionalmente. Minha vida pessoal foi exposta na frente de outras pessoas. Saí de lá pior do que entrei”, afirmou.

A paciente diz que o episódio agravou ainda mais seu estado emocional e físico. Segundo ela, após a situação, passou a sentir dores no corpo, crises emocionais e aumento do sofrimento psicológico.

Ela também afirma que passou a pesquisar normas técnicas e legislações relacionadas ao funcionamento de unidades Caps para entender se a estrutura e a abordagem adotadas estavam dentro das regras previstas pelo Ministério da Saúde.

A mulher destacou ainda que não possui uma rede de apoio familiar estruturada, o que aumenta sua vulnerabilidade e dependência do atendimento público de saúde mental.

Após o relato, a reportagem entrou em contato com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande), mas, até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

 

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