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Saúde

07/05/2026 19:00

Paciente com esquizofrenia espera há 7 dias por vaga no CAPS: 'só mandam aguardar'

Ela está 'internada' na UPA Leblon sem previsão de leito

Uma campo-grandense está lutando por uma vaga em um Caps (Centro de Atendimento Psicossocial) para irmã de 29 anos, que está internada há 7 dias na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon com quadro de crise de esquizofrenia e possível torção no joelho.

A operadora de caixa contou ao TopMídiaNews que a irmã foi internada após um surto psicótico causado pela esquizofrenia. Durante a permanência na unidade, médicos identificaram ainda um problema no joelho da paciente, que estaria “fora do lugar”, exigindo avaliação ortopédica.

“Já tem sete dias que estamos aqui esperando vaga para o CAPS e para ortopedia. Ninguém fala nada, só mandam aguardar”, desabafou.

De acordo com a acompanhante, a irmã apresenta episódios de agressividade e surtos frequentes. Ela afirma que, por conta do estado psicológico da paciente, é difícil mantê-la restrita ao leito durante tantos dias. “Ela fica surtada, quer bater, grita, joga pedra. Como que eu vou segurar uma pessoa com esquizofrenia em cima de uma cama por sete dias?”, questiona.

A acompanhante também denuncia suposta falta de assistência adequada dentro da unidade. Segundo ela, há dias em que refeições não chegam aos pacientes e episódios de tratamento considerado desrespeitoso por parte de profissionais.

Além disso, a paciente está usando fraldas por dificuldade de locomoção e que precisou pedir ajuda para troca de higiene, mas teria recebido resposta ríspida de uma enfermeira.

“Ela falou que, como minha irmã anda pelo corredor, poderia se trocar sozinha. Tive que esperar a boa vontade deles, enquanto ela estava suja”, relatou.

Outro ponto levantado pela família é a falta de documentos médicos que possam auxiliar em um pedido de benefício social ou ação judicial. Ela afirma que tentou buscar apoio da Defensoria Pública, mas enfrenta dificuldades pela ausência de laudos e documentos clínicos.

“Os médicos e psiquiatras não me dão laudo nenhum. Como vou entrar na Defensoria sem documento? Eu preciso cuidar dela, comprar fralda, remédio. Não consigo trabalhar”, disse.

Toda situação tem gerado uma sobrecarga emocional e financeira, já que, além de cuidar da irmã, é responsável por uma filha autista. Como não conta com o apoio de outros familiares, a jovem tem lutado sozinha para tentar dar uma vida digna para a irmã e a filha.

Ainda segundo a acompanhante, a paciente chegou a ser encaminhada anteriormente para acolhimento em unidade especializada, mas a família não conseguiu nova vaga. Ela afirma ainda que foi informada sobre suspeita de tuberculose, porém diz que não recebeu retorno sobre exames realizados.

“Eu só queria uma resposta. Até quando vamos esperar?”, finalizou.

A reportagem procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), mas até a publicação desta matéria não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

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