Médicos que atuam no setor de trauma da Santa Casa atravessaram o fim de ano em meio a incertezas financeiras, diante de atrasos no pagamento do salário. Segundo os profissionais, a situação se arrasta há semanas e não apresentou melhora desde o dia 26 de dezembro, gerando frustração e reflexos diretos no atendimento aos pacientes.
O acordo da Santa Casa era de que, até 10 de janeiro, seria feito os pagamentos atrasados. Acordo esse que foi cumprido para alguns setores da instituição, mas os médicos continuaram na espera.
De acordo com relato de uma fonte do setor de Trauma, que preferiu não se identificar, as festas de fim de ano foram marcadas por dificuldades financeiras. "Sinceramente, foi triste. Tínhamos planos e tivemos que nos readaptar", afirmou.
Os médicos também contestam informações de que haveria um acordo para parcelamento de valores em atraso. Conforme relataram, caso não haja uma decisão judicial, a paralisação total das atividades a partir desta terça-feira não é descartada.
A crise financeira já impacta diretamente a assistência hospitalar. Conforme relatos, cirurgias estão suspensas, pacientes começaram a ser transferidos e o centro cirúrgico opera com apenas duas salas. "É um caos", resumiu a fonte.
A equipe do TopMídiaNews entrou em contato com o Sindicato dos Médicos do Estado MS (SinmedMS) e com a Santa Casa, mas até o momento não recebeu retorno das instituições.
Enfermeiros e área administrativa receberam o atraso
Na sexta-feira passada, dia 9 de janeiro, uma paralisação foi registrada na Santa Casa por conta do atraso do salário de dezembro e descrença do pagamento da segunda parcela do décimo terceiro, prometido para o dia 10.
Procurado pela reportagem no período, o representante do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (SIEMS), Lázaro Santana, reconheceu que a instituição possui um histórico recorrente de atrasos mensais.
"A Santa Casa geralmente passa dois ou três dias do quinto dia útil. Por meio de mobilizações e paralisações, conseguimos envolver o hospital, o Estado e o município", explicou. Segundo ele, recentemente houve uma paralisação de dois dias devido ao atraso do 13º salário. Inicialmente, havia uma proposta de pagamento em três parcelas a partir de 25 de janeiro, mas após negociações, os trabalhadores receberam 50% no dia 24 de dezembro, com o restante previsto para o dia 10 de janeiro.
Lázaro Santana destacou que a crise financeira da Santa Casa não é recente e independe da troca de gestores. "As dificuldades são sempre as mesmas, e a justificativa gira em torno da contratualização e da falta de reajustes", afirmou.







