Uma força-tarefa com 12 auditores do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) vai passar a pente-fino as contas da Prefeitura e da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande). A auditoria de conformidade foi determinada em portaria publicada nesta segunda-feira (14) e terá como foco a administração municipal e a gestão da saúde pública da Capital.
O trabalho será coordenado pelo auditor Luiz Gustavo Favilla de Almeida e terá a supervisão da auditora Giovanna Araujo Felix Maravieski. Ao todo, 12 auditores foram designados para a fiscalização.
A medida ocorre em meio a uma série de reclamações registradas ao longo do ano sobre o atendimento na rede pública de Campo Grande, incluindo falta de medicamentos, ausência de médicos, demora para consultas e problemas estruturais em unidades de saúde.
Em junho, por exemplo, o MPMS abriu investigação sobre a USF do Jardim Macaúbas após reclamações de moradores e relatório do Conselho Municipal de Saúde. Entre os problemas apontados estavam falta de medicamentos, racionamento de insumos, equipamentos antigos ou com defeito e demora na manutenção.
Na mesma unidade, pacientes também relataram dificuldades para conseguir consultas e medicamentos de uso contínuo, como metformina e losartana. Uma moradora afirmou que, quando havia médico, as vagas acabavam rapidamente.
A falta de profissionais também aparece em outras unidades. Nas unidades de pronto atendimento, as reclamações também se repetiram. Na UPA Leblon, pacientes denunciaram demora, falta de médicos e de medicamentos. Uma das pacientes relatou ter esperado cerca de 8h pelo atendimento.
Já na UPA Moreninhas, um relatório do Conselho Municipal de Saúde classificou a situação como preocupante e apontou, entre outros problemas, falta de medicamentos, equipamentos insuficientes e estrutura deteriorada.
A falta de especialistas também entrou na lista de problemas. No início de setembro, o TopMídiaNews mostrou que a ausência de pneumologistas na rede municipal vinha dificultando o acompanhamento de pacientes com doenças respiratórias. A Câmara Municipal chegou a aprovar uma indicação à Sesau para recomposição do quadro.
A auditoria determinada pelo TCE-MS deverá verificar a conformidade da gestão da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde. A portaria não detalha, neste momento, quais contratos, despesas ou setores específicos serão analisados pelos auditores.
Os trabalhos entram em vigor a partir da publicação da portaria assinada pelo presidente do TCE-MS, conselheiro Flávio Kayatt.








