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Criado no Rio, arremesso por baixo das pernas é arma do Brasil no goalball

Estranha técnica de ataque coloca brasileiras em evidência nas quartas de final deste sábado, e jogadora explica: 'É uma escola carioca. O arremesso sai mais potente'

14 SET 2016
O Globo
08h12min
Foto: André Durão

A cena causa estranheza em um primeiro momento. Enquanto as estrangeiras do goalball fazem arremessos parecidos com a técnica do boliche, as brasileiras têm um estilo próprio, arremessam de costas e por baixo das pernas. O estranho jeito de atacar é justamente a arma criada pelo Brasil para  brigar pelo topo do pódio na Paralimpíada do Rio de Janeiro.

- É um estilo, é uma escola carioca. Esse arremesso nasceu no Rio. Você vê que tem outro atleta do masculino que também arremessa dessa maneira. Foi a técnica com que as brasileiras se identificaram. A bola é do mesmo tamanho que a masculina. Nós temos mais dificuldade para segurar a bola. Quando faz esse arremesso de costas, faz o uso das duas mãos. Além da força dos braços, usa o tronco. O arremesso sai mais potente. Mas não é todo mundo que se adapta - explicou Simone Rocha.

A técnica tem dado certo. O Brasil perdeu um jogo para o Japão na primeira fase, mas conseguiu liderar o Grupo A. Nesta quarta-feira, encara a Ucrânia pelas quartas de final. Carol Custódio explica que o estilo nasceu no Instituto Benjamin Constant, tradicional instituição carioca de ensino para pessoas com deficiência visual.

- Estudamos no Benjamin Constant e lá que aprendemos a técnica do arremesso. Nem aprendemos a arremessar de frente. É treino e adaptação. Mas tem meninas que arremessam bem com uma mão só - disse a jogadora.

O arremesso mais comum do goalball se parece com a técnica do boliche. No masculino, é comum os jogadores girarem antes de arremessar. A técnica varia de jogador para jogador. A única exigência do goalball é que a bola quique pelo menos uma vez em duas áreas obrigatórias para que os adversários consigam escutar os guizos, já que os atletas jogam com vendas.

No time masculino do Brasil, Alex Melo também usa o estilo carioca de arremesso. Principais artilheiros do time, Leomon e Josemárcio, o Parázinho, preferem a técnica do giro antes do arremesso. Atual campeã mundial, a seleção masculina fechou a primeira fase invicta e também joga nas quartas de final nesta quarta, contra a China.

 

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