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segunda, 14 de junho de 2021
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Em equipe liderada por mulheres, machismo recebe o troco no competitivo mundo dos games

"Ainda mais quando se joga ali no aleatório, escutamos coisas que são tristes", diz Kris Klutcnikas, CEO de uma equipe profissional de e-sports de MS

09 maio 2021 - 18h10Por Vinicius Costa

"Não é menina jogando assim não". Provavelmente as mulheres que tentam engajar no cenário dos games já ouviram frases como essa e ficaram desanimadas quando colocam em dúvida a sua boa jogabilidade. No entanto, isso está altamente atrelado ao machismo e preconceito que vigora nos mais variados lugares, inclusive em Mato Grosso do Sul.

Kris Klutcnikas, CEO da organização Jaguars, time profissional de e-sports sul-mato-grossense, explica para o TopMídiaNews que o assunto envolvendo as mulheres é uma questão importante que segue sendo debatida nos últimos anos, mas observa uma discrepância no cenário competitivo.

"A gente vê muita coisa que não gostaria de ver sendo mulher dentro desse cenário. Acredito que já tivemos uma evolução, claro, vemos muitas streamers, muitas influencers por aí. Mas quando se trata de jogar mesmo, é algo que ainda vemos um certo tipo de machismo e preconceito".

Ocupando um cargo de alto escalão na organização, Kris relata que os principais episódios acontecem quando as mulheres tentam se enturmar com outros jogadores que não são do convívio próximo.

"Ainda mais quando se joga ali no aleatório, escutamos coisas que são tristes", disse. A CEO exemplifica que o que mais se ouve é "só poder ser menino na conta da namorada", "não é menina jogando assim não", "liga o microfone aí, para gente saber se tu é homem".

"São coisas bem idiotas quando se trata do competitivo", completa a organizadora, cuja equipe sul-mato-grossense é 'comandada' por duas mulheres: ela e sua namorada, Luany Stefany.

Na equipe a pegada é outra

Respeitadas dentro da Jaguars, as meninas alertam os jogadores para evitar episódios como esse no competitivo. Por causa dessa postura, Kris lembra que alguns meninos chegam a chamá-las de 'mães' pelo doutrinamento na equipe.

"Procuramos muito ensinar todos os nossos jogadores. Sempre alertamos que não queremos só pessoas que joguem bem, que são excelentes no jogo, mas que não mostrem que são seres humanos incríveis. Estamos sempre tentando educar a respeito de machismo, racismo e homofobia".

Kris Klutcnikas conclui que a equipe nunca recebeu reclamações sobre episódios de preconceito e machismo. "É algo que a gente pode usar para moldarmos seres humanos melhores a cada dia".