Uma moradora da Vila Planalto, em Campo Grande, afirma que ficou sem assistência após capturar um saruê que vinha entrando em sua residência durante a madrugada para comer frutas.
Segundo ela, ao procurar ajuda do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar Ambiental (PMA), foi orientada a soltar o animal em uma área de mata e ainda se sentiu ameaçada de responder por crime ambiental.
A mulher, que preferiu não ser identificada, contou à reportagem que o animal começou a aparecer há alguns dias. Inicialmente, a família apenas percebeu que frutas estavam sendo comidas durante a noite.
"Minha mãe estava achando as frutas mexidas, comidas, mas os gatos lá de casa não comem fruta. Aí um dia ela levantou de madrugada e viu o bicho em cima do armário comendo as frutas", relatou.
Como o animal continuava aparecendo na residência e ela tem vários gatos resgatados, a moradora decidiu utilizar uma gatoeira que costuma empregar para capturar felinos destinados à castração. A intenção, segundo ela, era manter o saruê em segurança até que algum órgão ambiental pudesse recolhê-lo.
Na manhã desta quinta-feira (23), ela encontrou o animal preso na armadilha e acionou o Corpo de Bombeiros. A corporação informou que o caso deveria ser tratado pela Polícia Militar Ambiental.
Segundo a moradora, o atendimento recebido pela PMA ocorreu por WhatsApp. Ela afirma que, em vez de enviar uma equipe, foi questionada sobre quem havia autorizado a instalação da armadilha.
"Eles perguntaram quem me autorizou a fazer a armadilha para pegar o bicho. Eu falei que ninguém. Expliquei que ele estava entrando dentro da minha casa, que tenho vários gatos e estava preocupada porque ele estava comendo as comidas lá de casa", disse.

(Repórter Top)
Ainda conforme o relato, ela foi informada de que capturar um animal silvestre poderia configurar crime ambiental e recebeu orientação para fazer a soltura em uma área de mata. "Eu falei que não tinha como fazer isso. Eu estava em casa de manhã e precisava ir trabalhar. Queriam que eu fizesse o serviço deles", afirmou.
Sem conseguir o atendimento que esperava, a moradora decidiu abrir a armadilha e deixar o saruê sair no próprio quintal antes de ir ao trabalho.
Ela afirma que a situação gerou insegurança, principalmente porque teme que o animal possa transmitir doenças aos gatos que mantém em casa, como leptospirose e verminose pelas fezes.
A moradora também disse ter ficado receosa após o atendimento. "Estou com medo de acharem que eu estava fazendo mal para o bicho e quererem me prender. Eu só estava pedindo ajuda, não peguei o animal para vender nem para machucar."
A reportagem procurou a Polícia Militar Ambiental para esclarecer qual é o procedimento adotado em casos como esse, se há equipes responsáveis pelo resgate de animais silvestres em residências e para comentar a reclamação da moradora sobre o atendimento prestado. O espaço segue aberto para manifestação.









