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quinta, 26 de novembro de 2020
In Memoriam

Oi, meu nome é Gabrielly! Eu tinha 10 aninhos quando fui estrangulada pela minha mãe

Texto emocionante de internauta relembra crime bárbaro noticiado em março

05 novembro 2020 - 15h00Por * Daniela Aquino de Oliveira

Eu era uma garotinha linda e meiga, que por trás de um sorriso escondia uma grande tristeza. Conheci a maldade do ser humano quando fui abusada pelo meu padrasto e, em um ato de desespero, e pra arrancar do meu peito aquela dor que me consumia, contei tudo pra minha mãe. Eu pensei que ela me protegeria! Em quem eu ia confiar? Acho que me enganei. Ao contrário de me proteger sentiu ‘ciúmes' e no ato de acobertar o meu abusador decretou a minha morte. 

Parecia um dia normal, um passeio em família quando no sábado (21), por volta das 17 horas, eu, minha mamãe e o meu irmão de 13 anos saímos de carro até uma praça do Ginásio de Esportes de Brasilândia. Confesso que, por um instante eu consegui camuflar a dor que guardava dentro do peito. 

Mal sabia eu que o pior estava por vir e horas depois descobriria que em tempos de pandemia (A MINHA MÃE SE MOSTRARIA MAIS LETAL QUE O PRÓPRIO VÍRUS). Foi então que inocentemente fui levada à rodovia MS-040, cerca de cinco quilômetros da minha cidade. Ao encontrar uma estrada, minha mãe, a pessoa que eu mais confiava e amava decidiu que o meu fim seria ali!

                            Emileide confessou o crime e foi presa. (Reprodução Facebook)

Eu ainda não conseguia compreender o que estava acontecendo sabe? Até ser estrangulada com um pedaço de fio, e com a ajuda do meu irmão, abriu um buraco e enterrou o meu corpo de cabeça para baixo. Mas eu estava viva e eles conseguiam ouvir o meu desespero e meu pedido de socorro (SOCORRO MAMÃE, SOCORRO MAMÃE ). Mas ela, da forma mais fria e cruel ignorou o meu pedido e, abandonando o meu corpo, seguiu para um bar onde tomou algumas cervejas.  enquanto ela bebia eu lutava para sobreviver aquele buraco escuro, eu estava com tanto medo. Até que ouvir um barulho de carro, era a minha mãe. Mas não era arrependida e voltando para me salvar, ela só queria conferir se eu ainda estava viva! E de fato eu estava ali. Se pudesse voltar no tempo, com certeza ficaria quietinha fingindo estar morta, mas como poderia imaginar?

E mais uma vez, se mostrando uma covarde, minha mãe jogou mais e mais terra por cima de mim! Como em um filme de terror, mas era o meu corpo ali dentro daquele buraco! 
Em seguida e pela segunda vez ela abandonou o meu corpo e ignorou os meus gritos. Voltou para cidade e sem rumo ficou circulando de carro, até retornar pela terceira vez e se certificar que eu já estava morta. Como ela foi capaz? Eu não merecia uma morte tão cruel assim.

Enfim, certa da impunidade (BRASIL) ela voltou pra casa, tranquilamente tomou um banho e foi a uma delegacia Registrar ocorrência alegando que eu tinha desaparecido. Não sustentando essa versão, na manhã do dia seguinte confessou o crime e, para que finalmente eu pudesse descansar em Paz, na madrugada de domingo ( 22 ) o meu pequeno e inocente corpo foi encontrado nas proximidades de um lixão na Cidade de Brasilândia/ MS e encaminhado para o IML. Mas foi só o corpo mesmo, porque o meu espírito já repousa nos braços do meu criador. Aqui é lindo e ele já me garantiu que ninguém irá me machucar novamente.

O que me deixa triste é saber que não sou a primeira criança vítima de tanto desamor, e o tempo tem provado que enquanto as leis não forem mudadas (PERPÉTUA ) eu estarei longe de ser a última ficando apenas pra estatística. Esse é o nosso vergonhoso Brasil.

* Texto escrito pela internauta Daniela Aquino Soares, sobre o crime cometido por Emileide Magalhães, de 30 anos, em Brasilândia. 

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