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Política

há 58 minutos

Exonerado por corrupção, servidor que controlava vagas do SUS unificou regulação do estado inteiro

Ed Carlo Britto Burgatt e outros 11 fizeram parte do grupo Cemap

Um mês antes de se tornar um dos principais alvos da investigação relacionada a Operação Gutenberg, o servidor Ed Carlo Britto Burgatt, de 51 anos, foi designado para compor a Comissão Estadual de Monitoramento e Avaliação da Política Estadual de Incentivo Financeiro Hospitalar (CEMAP), que uniu a regulação hospitalar de Campo Grande com a de Mato Grosso do Sul inteira.

Além dele, outros 11 servidores da Superintendência de Atenção à Saúde (SAS), Superintendência de Governança Hospitalar (SGH), Superintendência de Gestão Estratégica (SGE), Auditoria, Controle e Avaliação no SUS, Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e Coordenadoria de Planejamento e Programação Orçamentária (CPPO) foram acionados para compor o grupo.

Conforme o divulgado, a CIB (Comissão Intergestores Bipartite) aprovou a criação de uma Central Única de Regulação da Urgência e Emergência para as macrorregiões de Campo Grande e Três Lagoas. A nova estrutura, coordenada pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), vai unificar as atuais centrais de regulação, concentrando a gestão do acesso aos leitos hospitalares do SUS destinados a casos de urgência e emergência.

A implantação está sendo feita em quatro etapas: diagnóstico das estruturas existentes, integração das equipes e sistemas, execução das mudanças e monitoramento dos resultados. A expectativa é reduzir o tempo de resposta para pacientes graves, eliminar a duplicidade de processos, melhorar a transparência das decisões e otimizar o uso dos recursos públicos. Segundo a SES, a medida representa um avanço na regionalização da saúde e busca tornar a regulação hospitalar mais eficiente e integrada.

Na ocasião, Ed Carlo atuava como coordenador de Regulação Assistencial de Leitos da SES, função estratégica responsável pela gestão das vagas hospitalares da rede pública estadual.

Ele foi um dos 16 alvos da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que teria desviado cerca de R$ 27 milhões da Saúde e da compra de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul.

Preso em flagrante durante o cumprimento de mandado realizado na manhã desta terça-feira (7), Ed Carlo teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia realizada na quarta-feira (8).

De acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ele integra o grupo investigado por participação em uma organização criminosa suspeita de praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude em contratações públicas.

As investigações apontam que empresários cooptavam agentes públicos para direcionar compras, principalmente na área da Saúde e na aquisição de livros paradidáticos, enquanto os recursos obtidos de forma ilícita eram pulverizados para dificultar o rastreamento.

Por conta do envolvimento com o grupo criminoso, Ed Carlo é um dos servidores que foi exonerado pelo Governo de Mato Grosso do Sul. Além disso, será feita uma auditoria na Secretaria Estadual de Saúde.

Em nota, a administração estadual afirmou que mantém políticas de compliance e transparência e que a Controladoria-Geral do Estado acompanhará as investigações em conjunto com a Secretaria de Saúde.

A auditoria deverá analisar os procedimentos administrativos relacionados às áreas atingidas pela operação.

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