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Política

há 50 minutos

Investimentos bilionários esbarram na falta de trabalhadores qualificados em MS

Empreendimentos previstos até 2030 podem abrir 18 mil vagas, mas municípios também enfrentam pressão por infraestrutura

Com R$ 115 bilhões em investimentos privados concluídos, em andamento ou previstos até 2030, Mato Grosso do Sul vive uma expansão da indústria para além dos grandes centros. O avanço, porém, expõe um problema: algumas empresas já encontram dificuldades para contratar trabalhadores qualificados.

Os projetos têm potencial para gerar pelo menos 18 mil empregos diretos. Desse total de investimentos, aproximadamente R$ 27 bilhões correspondem a empreendimentos concluídos, R$ 60 bilhões estão em execução e outros R$ 29 bilhões ainda são previstos.

Boa parte desse movimento está ligada ao processamento, dentro do Estado, de matérias-primas produzidas pelo agronegócio. A proposta é deixar de apenas enviar a produção para outros locais e ampliar a participação de Mato Grosso do Sul nas etapas industriais, que geralmente oferecem empregos mais especializados.

A indústria já responde por 22,4% do PIB (Produto Interno Bruto) estadual. Municípios como Inocência, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Chapadão do Sul estão entre os principais destinos dos novos empreendimentos.

A expansão movimenta também os setores de serviços, logística, bioenergia e construção civil. Ao mesmo tempo, exige profissionais preparados para funções que nem sempre conseguem ser preenchidas pela mão de obra disponível nas cidades.

Segundo a diretora-presidente da Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul), Marina Hojaij Carvalho Dobashi, o mercado de trabalho está aquecido, mas a qualificação passou a ser um obstáculo.

“Em algumas áreas, o desafio já não é criar empregos, mas formar profissionais qualificados para atender à demanda das empresas”, afirmou.

O cenário exige que programas de capacitação acompanhem o ritmo de instalação das fábricas. Sem essa preparação, parte das vagas pode acabar ocupada por trabalhadores vindos de outras regiões, reduzindo o impacto direto dos investimentos sobre a população local.

Crescimento também pressiona municípios

A chegada de grandes empreendimentos não representa apenas a abertura de empregos. Ela também aumenta a procura por moradias, escolas, unidades de saúde, saneamento, transporte e outros serviços públicos.

Para o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, fatores como estradas, energia, internet, saneamento e disponibilidade de trabalhadores pesam na decisão das empresas.

“Para um grupo industrial decidir instalar uma nova unidade, ele certamente considera se a região dispõe de recursos como estradas, energia, internet, saneamento básico, matéria-prima e trabalhadores”, disse.

Os trabalhadores, por outro lado, precisam encontrar condições para viver nas cidades que recebem os projetos. Isso inclui oferta de moradia, ruas pavimentadas, abastecimento de água, escolas, atendimento de saúde e comércio.

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