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há 1 hora

'Jogaram a culpa em mim', diz mãe que passou dias com bebê morto na barriga em Campo Grande (vídeo)

Joyce Alves afirma que profissionais da Maternidade Cândido Mariano relacionaram a morte do bebê ao cigarro e levantaram suspeitas sobre uso de drogas

Depois de procurar atendimento médico por não sentir o filho mexer, ser liberada da Maternidade Cândido Mariano e descobrir, no dia seguinte, que o bebê estava morto, Joyce Alves Neves, de 29 anos, afirma que ainda foi responsabilizada pela perda de Davi Isaac. Segundo a dona de casa, profissionais da maternidade, em Campo Grande, atribuíram a morte do menino ao hábito de fumar cigarros durante a gestação.

Grávida de 27 semanas, Joyce procurou atendimento pela primeira vez na quinta-feira (22), quando uma unidade de saúde identificou alterações nos batimentos cardíacos do bebê. Ela foi encaminhada à maternidade, recebeu apenas soro com glicose e foi liberada sem passar por ultrassom.

Na sexta-feira (23), ao retornar ao atendimento, descobriu que o coração do filho havia parado de bater. O parto só aconteceu na madrugada de segunda-feira (26), cerca de três dias depois.

"Em entrevista ao TopMídiaNews, Joyce contou que chegou à maternidade com uma carta de encaminhamento, mas afirma que o documento sequer foi analisado pela equipe responsável pelo atendimento."

Segundo ela, pouco depois de receber o soro, os profissionais informaram que os batimentos estavam normais e que poderia voltar para casa.

“Cheguei lá, não viram nem a carta, nem nada. Passaram só para mim tomar um soro com açúcar na veia”, lembra.

A mãe afirma que não passou por ultrassom naquele primeiro atendimento. Ela também relata que uma profissional associou a alteração nos batimentos cardíacos ao consumo de cigarros.

“Ela falou: ‘Por conta que eu fumo, o coração dele acelerou um pouco, mas é normal’. Falou desse jeito”, disse.

Na sexta-feira, Joyce retornou ao posto de saúde porque queria verificar novamente os batimentos do filho. Como a equipe não conseguiu identificá-los, ela foi encaminhada outra vez à Maternidade Cândido Mariano.

Dessa vez, um ultrassom confirmou a ausência de atividade cardíaca fetal. Joyce foi internada e passou por um parto normal induzido, que terminou na madrugada de segunda-feira (26), às 3h32.

Davi Isaac seria o quarto filho da dona de casa e seu primeiro menino. O nascimento estava previsto para 13 de dezembro. O bebê nasceu com aproximadamente um quilo e 39 centímetros.

“O ultrassom poderia ter mudado o desfecho, talvez eu estava com a vida do meu filho de volta”, lamenta.

Ainda conforme a mãe, além de relacionarem a morte ao cigarro, profissionais teriam levantado suspeitas sobre o uso de drogas ilícitas. A mãe nega ter consumido entorpecentes durante a gestação e afirma que está disposta a realizar um exame toxicológico.

“Estão jogando a culpa em cima de mim por conta que eu fumo. Disseram que a morte dele era porque eu fumava”, disse.

Mãe diz que maternidade cobrou R$ 1 mil para descobrir causa da morte do bebê

Segundo Joyce, uma assistente social da maternidade teria informado que seria necessário pagar R$ 1 mil para realizar um exame capaz de esclarecer a causa do óbito.

“Eu perguntei quanto custava. A assistente social falou para mim R$ 1 mil. Que o governo não cobre isso”, conta.

A mãe afirma que recebeu a informação de que o sepultamento poderia ser custeado, mas que a investigação da causa da morte dependeria do pagamento. O tipo de exame mencionado e as condições para sua realização ainda precisam ser esclarecidos pela instituição.

Joyce também contou que permaneceu internada para tratar um possível início de infecção. Ela recebeu alta na terça-feira (27), por volta das 20h, com medicamentos prescritos para continuar o tratamento em casa.

Agora, a prioridade da dona de casa é conseguir liberar o corpo de Davi Isaac para realizar o velório e o sepultamento.

Joyce afirma que pretende registrar um boletim de ocorrência e buscar a Justiça para esclarecer o atendimento recebido. 

“Primeiro, agora, no momento, eu vou sepultar ele. Tenho que tirar ele de lá da Cândido Mariano e poder enterrar ele. Depois que eu resolver tudo isso, eu vou processar eles”, afirma.

A reportagem procurou a Maternidade para falar sobre o caso e aguarda retorno.

 

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