O sistema público de saúde de Campo Grande está operando muito além de sua capacidade populacional. A denúncia foi feita pelo vereador Landmark (PT) durante entrevista ao programa "Cara a Cara", com o jornalista Vinícius Squinelo, em que o parlamentar revelou uma matemática preocupante: a Capital possui quase o dobro de usuários cadastrados no SUS (Sistema Único de Saúde) em comparação ao seu número real de moradores.
Segundo o vereador, esse desequilíbrio populacional cria uma "população invisível" que sobrecarrega os hospitais e esgota os insumos médicos do município. Durante a entrevista, Landmark explicou a discrepância de dados.
"Qual é a população que nós temos em Campo Grande? Um milhão de habitantes. Deveríamos ter quantos cartões SUS em Campo Grande? Um milhão. Mas nós temos um milhão e seiscentos mil. Nós temos outra população, uma população invisível dentro de Campo Grande que utiliza o serviço SUS".
O parlamentar detalhou que essa demanda extra é gerada por pacientes enviados ativamente por gestores do interior do Estado. A prática, muitas vezes conhecida como "ambulancioterapia", empurra a responsabilidade dos atendimentos para as unidades da Capital.
"De onde elas vêm? Dos setenta e oito municípios de Mato Grosso do Sul. O prefeito, o secretário de saúde, compra uma van, um ônibus refrigerado com ar-condicionado e traz para Campo Grande. E aqui Campo Grande abraça todos".
O resultado dessa absorção de demanda, segundo Landmark, é um efeito cascata que afeta o cidadão campo-grandense, com impactos diretos no Hospital Regional, na Santa Casa e nas Unidades Básicas de Saúde.
"E aí tem o estrangulamento da saúde: Hospital Regional, Santa Casa, as unidades de saúde. Faltando médicos, faltando profissionais, dipirona, remédios, exames. Há um colapso".
Para tentar minimizar o problema, o vereador informou que tem cobrado do governo federal e da bancada sul-mato-grossense repasses maiores do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Atenção Básica (MAC) para adequar o financiamento da saúde à verdadeira demanda que os hospitais de Campo Grande precisam suportar diariamente. Além disso, o vereador cobrou maior participação do Governo do Estado para evitar que a capital arque sozinha com o ônus dos atendimentos de todo o Mato Grosso do Sul.








