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terça, 22 de setembro de 2020
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Não é fácil, mas artesãos de Campo Grande se orgulham em viver do que as próprias mãos criam

Das criações indígenas a trabalhos manuais modernos, arte em MS é diversa e valorizada Brasil afora

19 maio 2019 - 09h30Por Amanda Amaral

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8,5 milhões de brasileiros vivem do artesanato e customização e movimentam 50 bilhões de reais anualmente no país. Em Mato Grosso do Sul, essa representatividade está em todo canto, basta observar, e em diversas formas.

Dos trabalhos símbolo do estado pelas mãos de indígenas aos bonecos, bordados, acessórios e uma infinidade de estilos e materiais, será que é possível viver dessa arte por aqui? Apesar de muitas vezes de forma difícil, com altos e baixos, artesãos de Campo Grande garantem que sim e não só por conta dos turistas. 

Na Capital, a Praça dos Imigrantes é também conhecida como Praça do Artesão e reúne 30 lojas com trabalhos de 55 profissionais. Ali, a unanimidade é que é difícil ficar rico com a profissão, mas que a arte vai muito além do hobby e alimenta a alma.

A portuguesa de Assoures Fernanda Maria T. Marx, 83 anos, está há 12 anos na praça com seus bordados prontos e por encomenda, que aprendeu criança a aperfeiçoou décadas depois. Diz não conseguir pagar todas suas despesas só com o que vende, entre R$ 20 e mais de R$ 300, mas que a arte lhe rendeu alegria e amizades quando se encontrou em período difícil na vida.

“Fiz faculdade de contabilidade e trabalhava em ambiente muito diferente do artesanato. Fiquei viúva, não queria ficar em casa, parada, e minha irmã me influenciou a voltar a bordar. Juntas, fizemos cursos e surgiu a ideia de vender na praça, o que foi a melhor coisa. Aqui é uma escola”, conta.

Já a ceramista Cybele Almeida comemora estar começando a conseguir pagar todas as contas apenas com o dinheiro que consegue com suas criações. Há dois anos na praça, o que mais vende são as pequenas esculturas de animais do Pantanal, mas a simpática capivara é seu carro-chefe.

Fez faculdade de artes e aprendeu em outros cursos métodos da cerâmica e biscuit. Apaixonou-se, nunca mais parou e hoje trabalha de casa, após comprar seu torno e forno com o que juntou do trabalho como professora.

Ela conta que as redes sociais têm papel fundamental na possibilidade de crescer nas vendas. “Para nós artesãos a internet é ferramenta indispensável, em minha opinião. Pra você ser visto, tem que mostrar desse jeito, fica mais fácil das pessoas entrarem em contato, fazerem encomendas, te recomendarem”, diz.

Direitos

A profissão dá direito a Carteira Nacional própria e com ela o artesão pode participar de feiras nacionais e internacionais, além de programas de editais públicos e privados. A lei também permite ainda a destinação de linhas de crédito, assim os profissionais tem mais facilidade para financiar a comercialização da produção, a compra de matérias-primas e equipamentos para iniciar, desenvolver e até ampliar seu negócio.

Tem ainda direito a todos os benefícios que compõem o sistema trabalhista, como o salário-maternidade, auxílio-doença, benefícios previdenciários e aposentadoria. Um dos deveres do artesão mais importantes está o pagamento dos devidos impostos, que podem ser unificados a partir da entrada deste artesão no Programa Simples Nacional, sob a denominação de um MEI (Microempreendedor Individual) facilitando bastante o pagamento em dia de todos os tributos.

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