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Campo Grande

Sem projetos para proteger alunos, vereadores apostam em conscientizar famílias sobre armas de fogo

Mesmo com tiro acidental em escola de Campo Grande, não há projetos para dificultar a entrada de armas nas escolas

05 dezembro 2018 - 13h10Por Rodson Willyams

Há menos de dois meses, Campo Grande registrou um caso que deixou a comunidade em alerta. Um aluno de nove anos levou, sem conhecimento dos pais, uma pistola de calibre .40 para dentro da sala de aula em uma escola particular da Capital. Acidentalmente, o menino fez um disparo e o projétil atingiu a coxa e o pé da criança. Diante desta situação, os vereadores que integram a Comissão de Segurança da Câmara Municipal foram procurados pelo TopMídiaNews para saber se há algum plano de estudo para impedir que novos casos venham a se repetir na cidade.

Para o vice-presidente da Comissão, Odilon de Oliveira (PDT), criar uma lei específica que para coibir tal ação seria inviável. "Uma lei específica para coibir isso não vai ter tanto valor porque isso vem da família. Nós temos que buscar algum mecanismo para fortalecer a família e conscientizar o uso de armas que quando manuseada por uma pessoa incapaz ou fora das regras da legislação pode ser um perigo".

Odilon ainda afirma que parcerias podem ser feitas, inclusive com o município e as escolas. "Nós podemos fazer um trabalho de conscientização nesse sentido e podemos provocar a prefeitura para poder fazer um trabalho educativo nas escolas e a respeito disto. O tanto de lei que faz e não é cumprida, fiscalizada. Nós temos que partir pela prevenção, pela educação".


Vereador Odilon Jr. Foto: André de Abreu.

E a aposta do vereador para evitar que novos episódios possam ocorrer está na família. "Nos trabalhos educativos que faço nas escolas estaduais e até nas escolas particulares, nós falamos sobre o fortalecimento da família. Da importância de Deus, da escola na formação do caráter e acho que isso dá mais resultado que a lei propriamente dita", pontua.

Outro a comentar o caso foi o vereador André Salineiro (PSDB), que assim como Odilon, aposta nas palestras educativas. "O colégio [em que ocorreu o incidente] me convidou para fazer uma palestra. No meu caso, como sou policial e tenho armas na minha casa e duas filhas, tento passar a forma como eu lido com isso para os pais", explica o parlamentar.

Salineiro ainda também frisa que um Projeto de Lei não alcançaria um resulto positivo quanto a questão. "Projeto de Lei não tem como ser feito. O que tem que fazer são campanhas de conscientização e se a Câmara quiser ser pioneira nisso, tomar frente. Fica um alerta, principalmente para as pessoas que possuem arma em casa".

Mudanças de governo

André Salineiro ainda lembra que com a nova mudança de governo, com a chegada do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), o número de famílias que possuirão armas em casa e no trabalho devem aumentar. "A gente sabe agora que com a vinda do Bolsonaro irá aumentar o número de familiares com arma dentro de casa", comenta.

Porém explica que o novo presidente do Brasil não defende o porte escancarado de arma de fogo. "Ele defende a posse de arma. Que é o direito de você ter uma arma na sua casa ou no teu trabalho. Então, irá aumentar e tem que aumentar mesmo. Mas isso cumprindo alguns requisitos. Então, é importante a conscientização para que essas pessoas que vão ter arma dentro da sua casa, devem aprender como se portar principalmente, ensinando ao seus filhos".


Vereador André Salineiro. Foto: André de Abreu.

Ao ser questionado se isto poderia aumentar o índice de acidentes ou até mesmo de homicídios, o parlamentar explica que isto pode não acontecer. "Não porque as armas ficarão dentro da casa e dentro do ambiente de trabalho. E mesmo para posse precisa também do requisito de curso, não é assim simples, 'vou comprar uma arma e vou legalizar'. Vai ter requisitos específicos", finaliza.

O caso

No dia 17 de outubro, por volta das 16 horas, durante a aula de geografia, o aluno acabou fazendo um disparo de arma de fogo acidentalmente. O delegado de Polícia Civil, Rodrigo Alencar Machado Camapu, da Depac Centro, esclareceu que a pistola levada por um menino de 9 anos é segura e não pertence à polícia. Ela foi acionada ao apertar o gatilho.

Ele constatou que o menino levou a arma para escola sem conhecimento dos pais e que foi retirada de um escritório fechado, dentro de casa dele. ''A pistola estava dentro da lancheira. Em dado momento, o menino pôs a mão dentro da lancheira, quando a arma disparou'', finalizou Camapu.  

No dia do evento, alguns pais que foram buscar os filhos saíram bastante abalados da escola, muitos inclusive, chorando e chocados com o caso.