Cobrado mês a mês na conta de luz, o valor da Cosip (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública) pesa no bolso dos moradores de Campo Grande, enquanto ruas, praças e avenidas seguem com iluminação precária ou completamente apagada em diversas regiões da cidade, enquanto a prefeitura passa por investigação sob suspeita de ter desvios de dinheiro.
O tributo municipal cobrado de forma regular e automática na fatura de energia deveria atender a população com instalação, manutenção e melhorias da iluminação pública, mas apenas consome o dinheiro do contribuinte que se revolta em passar até três semanas sem luz na porta de casa, na região do bairro Itanhangá.
Extratos de contas de luz obtidos pela reportagem mostram que, em um caso específico, a cobrança da Cosip chegou a valores entre R$ 49 e R$ 55, a depender do consumo mensal. A cobrança pesa aos consumidores que, mesmo pagando mensalmente o valor em conta, convivem com falhas prolongadas no serviço, ausência de manutenção e apagões que se estendem por dias ou semanas em diferentes pontos de Campo Grande.

A revolta dos moradores é que a prefeitura não consegue garantir sequer o funcionamento básico da iluminação pública, especialmente em áreas de grande circulação noturna, como pontos de ônibus, praças e regiões próximas a instituições de ensino.
Para Juliano Machado, 39 anos, a insatisfação não está na existência da taxa, mas na falta de retorno do serviço. “Você paga a taxa todo mês e não vê retorno. Quando você soma o que um prédio inteiro paga, é um valor muito alto. O dinheiro sai do bolso do contribuinte, mas o serviço não acompanha”, afirma o morador que passou quase um mês no escuro, na região da Vila Rosa Pires.
A cobrança da Cosip revolta ainda mais os moradores que vivem em regiões escuras e sem manutenção há vários meses, justamente quando a prefeitura é investigada por corrupção nos contratos de iluminação pública, com fraude que ultrapassa R$ 110 milhões, como já noticiado pelo TopMídiaNews.
Fraude e investigação
Conforme noticiado em dezembro de 2025, empresas privadas e funcionários da Sisep teriam montado um esquema de superfaturamento em contratos públicos firmados a partir de 2024 com a prefeitura, durante a gestão Adriane Lopes (PP).
Segundo a denúncia, o grupo criminoso, composto por agentes públicos e empresas privadas como a Construtora JLC Ltda e a Construtura B&C Ltda, operaram um sistema de superfaturamento, desviando dinheiro público e direcionando contratações públicas para manutenção do sistema de iluminação na Capital sul-mato-grossense.
Durante as apurações, O Gaeco identificou que as atividades ilícitas da organização criminosa não se limitaram às fraudes e desvios ocorridos no período e constatou-se outro grupo criminoso também para desvio de dinheiro dos cofres públicos, meio de utilização de valores oriundos da Cosip (Contribuição dos Serviços de Iluminação Pública), inclusive com abertura de empresas de “fachada”.
O Ministério Público de Santa Catarina, também atuante no caso, estima que o prejuízo aos cofres públicos de Campo Grande, causado pela fraude na iluminação pública, ultrapasse os R$ 110 milhões.







