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Política

Deputado e médico, Ovando culpa SUS e interesses políticos por ‘quebras’ da Santa Casa

Ele afirmou que se a tabela pelos serviços não for reajustada hospital nunca sairá do vermelho

20 julho 2019 - 11h30Por Celso Bejarano, de Brasília

Empregado na Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, hospital mais antigo e maior da cidade, desde 1972, quando ainda estudava o terceiro ano de medicina, o cardiologista Dr. Luiz Alberto Ovando, deputado federal do PSL de Mato Grosso do Sul, tem opinião que destoa das já emitidas até agora por autoridades ligadas à saúde, quando o assunto tratado tem a ver com as finanças da unidade hospitalar. “Falha gerencial”, seria o motivo do caos financeiro.

Para o médico, contudo, a falta de reajuste na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), que já dura três décadas, e "os interesses individuais dos políticos” é que são as reais razões que “afundam” o hospital.

O parlamentar disse que o sistema financeiro do hospital beira o colapso desde os anos 1980 década da promulgação da Constituição Federal.

“À época definiu-se no país que a saúde era direito de todos e dever do Estado e, à época, foi acertado que 30% da receita da seguridade social, em torno de R$ 303 bilhões seriam destinados à saúde. Ocorre que o setor alocou apenas R$ 130 bilhões”, criticou.

Segue o raciocínio de Ovando: “de 1988 até hoje a tabela do SUS conseguiu reajuste de 94,6%. Para se ter uma ideia da defasagem, no mesmo período, o salário mínimo, que não é aquela Brastemp, obteve um reajuste de 854 por cento”.

Disse também o deputado: “de cada R$ 100 da produção do serviço da Santa Casa, o hospital recebe apenas R$ 60. Imagine isso, receber bem menos pelo serviço ofertado. Na década de 1980 em todo o país havia 2.500 santas casas. Pela falta de reajuste da tabela do SUS, 270 fecharam as portas”.

ENGODO

Luiz Ovando criticou também o programa recém anunciado no Congresso Nacional pelo ministro Luiz Mandetta (Saúde). “Disseram que a Caixa Econômica vai disponibilizar empréstimos às santas casas com juros de 3% ao ano. Fizeram uma festa, mas isso é um engodo. O que o ministério deve fazer é pagar decentemente pelos serviços desses hopitais”, protestou o parlamentar. "O empréstimo deve agir como uma infecção, que cura por um tempo, mas ressurge”.

Dr. Luiz Ovando comentou ainda o projeto de construção de um hospital municipal em Campo Grande. Para ele, mesmo com o novo hospital, cujo o início da obra nem sequer foi divulgado, as finanças da Santa Casa em pouco pode se beneficiar.

“Todo o hospital que depender do dinheiro do SUS está sujeito à falência. E se a tabela não for reajustada, as finanças Santa Casa permanecem instáveis”, pontuou o parlamentar.

* Matéria corrigida às 14h56