TCE MAIO
(67) 99826-0686
Camara Maio

Recém-reformado, centro de especialidades infantis tem sala interditada e faltam equipamentos

Unidade ocupa espaço do antigo CRS Guanandy e apresenta diversos problemas

6 NOV 2016
Diana Christie
07h00min
Foto: André de Abreu

Reinaugurado em 31 de agosto para atender um CEI (Centro de Especialidades Infantil) e um CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial infantil), o Complexo Especializado Infanto Juvenil Manoel de Barros já apresenta diversos problemas na estrutura do prédio, além de falta de médicos e equipamentos. As informações são de relatório realizado pela 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública.

Por enquanto com nome provisório, o centro especializado funciona na Avenida Manoel da Costa Lima n. 3272, bairro Guanandi, no lugar do CRS (Centro Regional de Saúde) Guanandy, desativado após a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento do Jardim Leblon. A vistoria no local foi realizada no dia 03 de outubro, após denúncia anônima de problemas na mudança física do CEI.

O centro especializado, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), oferece serviços como consulta ambulatorial, oficinas de grupo voltadas para o tratamento de crianças encaminhadas das unidades básicas de saúde, terapias individuais, orientação familiar, audiometria tonal e confecção de óculos após consulta com oftalmologista, funcionando de segundo a sábado, das 7h às 21h.

Durante vistoria no local, o MPE (Ministério Público Estadual) verificou a ausência de ares-condicionados em diversas salas; falta de água e maca na sala de vacinação, que também é utilizada como consultório; um ventilador estragado no saguão de espera para pacientes de oftalmologia. Também encontrou a sala de terapia coletiva desativada; bebedouro insuficiente para a demanda; problemas no forro e fezes de pomba em diversos lugares do prédio.

Sala de terapia interditada - Foto: Reprodução/MPE

“Existe também a questão das pombas que permanecem no telhado. Encontrado fezes do animal em diversos ambientes da unidade, como na entrada, corredor de acesso ás salas de terapia em grupo e parede atrás das salas, inclusive sobre as janelas e ar condicionado. A unidade não conta com expurgo e central de materiais e esterilização. O material tem sido enviado para processamento em outras unidades”, diz o relatório.

Para a Promotoria, a equipe médica ainda relatou que o número de salas é insuficiente para atendimento de todos os profissionais, sendo necessários ajustes de horários para que todos tenham salas disponíveis. No entanto, de acordo com o gerente da unidade, com a programação de escalas, todos os profissionais possuem salas disponíveis em seu horário de atendimento.

Em relação aos equipamentos, somente algumas especialidades utilizam equipamentos específicos, já que a maioria faz somente atendimento ambulatorial com consulta clínica. Mesmo assim, há dificuldade para comprar, por exemplo, lâmpadas para Lensómetro 12 wts, caixa de aquecimento e lente do retinoscópio, usados no setor de oftalmologia, que não consegue fazer a manutenção dos equipamentos por falta de verbas para esse fim.

Consultório de oftalmologia - Foto: Reprodução/MPE

“A especialidade de acupuntura está atendendo com material oriundo de doações. Refere que as agulhas utilizadas estão em falta e ainda não há previsão de reposição, portanto necessita urgentemente da aquisição destas. Os profissionais referem também que há muito tempo não são repostos os brinquedos pedagógicos, utilizados pela equipe multiprofissional”, continua o relatório.

O Serviço de Referência em Diabetes também sofre com a falta de agulhas para caneta de aplicação de insulina há cerca de quatro meses, tanto que alguns pacientes têm comprado as próprias agulhas e outros tem utilizado seringas e agulhas convencionais, o que não é recomendado, pois há risco de a família errar a dose no momento da aplicação. Ainda há necessidade de um esfigmomanômetro (aparelho para medir a pressão) pediátrico, tamanhos 8 e 9, e um ressuscitador manual (Ambú) neonatal.

Considerando as irregularidades, a promotora Paula da Silva Volpe instaurou um inquérito civil, publicado no diário oficial do MPE nesta sexta-feira (4), para apurar o problema. A prefeitura foi notificada e deverá encaminhar esclarecimentos à Promotoria. Procurada pela reportagem, a assessoria do município não apresentou uma resposta até o fechamento desta matéria. 

Veja também